O petróleo Brent continua acima de US$ 100 e refletindo a tensão sobre o abastecimento mundial de energia nesta quinta-feira (10). Na referência mais recente da Reuters, o contrato futuro do Brent estava em US$ 101,61 por barril às 08h14 GMT, enquanto o petróleo WTI era negociado a US$ 96,54.
A pressão sobre o petróleo Brent ocorre em meio à nova escalada militar no Golfo e a um fluxo muito reduzido pelo Estreito de Ormuz. Dados preliminares de rastreamento marítimo apontaram somente sete travessias na quarta-feira (9), número bem inferior ao padrão dos dias anteriores. O estreito, entretanto, não está fechado.
Petróleo Brent acima de US$ 100
O petróleo Brent subia 0,4% e alcançava US$ 101,61 por barril às 08h14 GMT, segundo a Reuters. O valor é uma fotografia daquele momento do mercado e pode mudar ao longo do dia; não deve ser interpretado como cotação fixa desta quinta-feira.
A commodity acumulava valorização próxima de 30% desde as mínimas registradas no início de agosto. A alta voltou a ganhar força diante do receio de novas interrupções na oferta e dos ataques recentes contra embarcações na região do Golfo.
Segundo a Reuters, o petróleo Brent físico de referência, usado na formação de preços de grande parte do mercado internacional, permanece acima de US$ 100 desde 3 de setembro. Isso mostra que a pressão não está concentrada em uma única sessão de negociação.
O que acontece no Estreito de Ormuz
Dados preliminares de rastreamento marítimo citados pela Reuters mostram que apenas sete embarcações atravessaram Ormuz na quarta-feira. No dia anterior haviam sido registradas 12 travessias, enquanto a média dos dez dias anteriores era de 14.
Das sete embarcações observadas, quatro saíram pelo estreito e três entraram. O levantamento também não registrou saída de navio-tanque de gás natural liquefeito naquele período.
A própria Reuters ressalva que esses dados podem não contabilizar navios que navegam com os transponders desligados. Portanto, sete é a quantidade captada pelo levantamento preliminar, e não necessariamente a totalidade das travessias.
Também é importante separar redução de tráfego de fechamento. Há embarcações atravessando o corredor, inclusive carregamentos de petróleo. O cenário correto é de fluxo fortemente reduzido e risco elevado, não de interrupção total da passagem.
Por que Ormuz é estratégico para o petróleo mundial
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. É uma das rotas mais importantes do sistema mundial de energia porque concentra exportações de grandes produtores do Oriente Médio.
Como referência estrutural, a U.S. Energy Information Administration (EIA) calcula que, no primeiro semestre de 2025, cerca de 20,9 milhões de barris por dia de petróleo e outros líquidos passaram por Ormuz. O volume correspondia a aproximadamente 20% do consumo mundial de líquidos de petróleo e a cerca de um quarto do comércio marítimo global de petróleo.
Esses números são históricos e não representam o fluxo atual. Estimativas mais recentes da própria EIA mostram queda para uma média de 14,9 milhões de barris por dia no primeiro trimestre de 2026 e apenas 4,9 milhões no segundo trimestre.
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos dispõem de oleodutos capazes de desviar parte das exportações. Mesmo assim, a capacidade alternativa não é suficiente para substituir todo o volume que normalmente utilizaria Ormuz. É essa limitação que aumenta a sensibilidade do petróleo Brent quando a passagem fica mais arriscada.
Como a alta do petróleo Brent chega ao Brasil
O petróleo Brent interessa ao Brasil porque o país participa de um mercado de combustíveis conectado às cotações e aos custos internacionais. A exposição é especialmente relevante no diesel.
O Ministério da Fazenda informou que mais de 25% do diesel consumido no Brasil vem de importações. Segundo o governo, a alta do petróleo e dos custos internacionais de refino aumenta o impacto externo sobre o mercado doméstico.
Esse ambiente foi apresentado como justificativa para as medidas anunciadas em 9 de setembro, que incluem redução temporária de tributos sobre gasolina e etanol hidratado e uma nova subvenção ao diesel rodoviário.
O AgoraRO detalhou essas medidas na matéria Governo reduz tributos da gasolina e do etanol e autoriza subvenção ao diesel. O corte tributário e a subvenção são mecanismos brasileiros de amortecimento e não alteram o fato de que parte da pressão tem origem no mercado internacional.
O que isso significa para Rondônia
Em Rondônia, combustíveis e fretes têm peso relevante por causa das longas distâncias rodoviárias, da distribuição de mercadorias entre municípios e da importância do transporte para a agropecuária e outras cadeias produtivas.
Isso torna o estado sensível a mudanças persistentes nos custos de energia e transporte. Ainda assim, a valorização do petróleo Brent não permite afirmar que gasolina ou diesel já tenham subido em Porto Velho ou em outras cidades rondonienses por causa do Estreito de Ormuz.
O preço final nos postos depende de vários componentes, entre eles preços de produtores e importadores, câmbio, biocombustíveis, distribuição, tributos e margens comerciais. Por isso, uma cotação internacional mais alta representa risco e pressão potencial, e não um reajuste automático de determinado valor na bomba.
Também não há, nas fontes consultadas para este fechamento, indicação de desabastecimento no Brasil ou em Rondônia provocado pela redução do tráfego em Ormuz. A trajetória do petróleo Brent seguirá dependente, entre outros fatores, da duração da crise e da capacidade de o mercado manter fluxos suficientes de petróleo e derivados.
Reuters — cotação do Brent e cenário internacional do petróleo.
Reuters — dados preliminares de tráfego no Estreito de Ormuz.
U.S. Energy Information Administration — World Oil Transit Chokepoints.
U.S. Energy Information Administration — estimativas de fluxos energéticos em 2026.
Ministério da Fazenda — medidas brasileiras para combustíveis.































