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Farinha em Rondônia: por que plantar mandioca não basta

Porto Velho respondeu por quase metade da mandioca colhida no estado em 2024; o beneficiamento exige novas etapas.

Composição editorial com participantes em uma farinheira, mandioca cortada e farinha em peneira.
A visita técnica integra a preparação da farinheira comunitária. Composição editorial com IA / AgoraRO.

Farinha em Rondônia não se mede apenas pela quantidade de mandioca colhida. Em 2024, o estado registrou 361.016 toneladas de raízes. Já um estudo histórico da Embrapa identificou que, em 2007, oito distribuidoras pesquisadas compraram 2.070 toneladas de farinha seca de Cruzeiro do Sul (AC). As compras são de 2007 e não representam a participação atual do Acre no mercado rondoniense.

Na estrada do Belmont, em Porto Velho, a Associação Abraça prepara uma farinheira comunitária para beneficiar mandioca cultivada por agricultores familiares. Em 1º de novembro de 2026, a Prefeitura informou que a Semagric orientou os responsáveis sobre adequações físicas e sanitárias necessárias à futura regularização. A unidade ainda está em preparação, sem operação comercial comprovada.

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O que a colheita de mandioca revela — e o que não revela

Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) de 2024, Rondônia colheu 361.016 toneladas de raízes de mandioca. Porto Velho respondeu por 169.906 toneladas, aproximadamente 47,1% do total estadual. A Semagric também informou 8.660 hectares cultivados na capital.

As raízes têm destinos e aptidões diferentes. A mandioca de mesa, também chamada de macaxeira ou aipim, é escolhida sobretudo pelo baixo potencial cianogênico e por qualidades culinárias, como cozimento e textura. Para fazer farinha e fécula, também importam o teor de amido, o rendimento e as características do produto final. Variedades mansas e bravas podem ser processadas com procedimentos adequados. A produção agrícola registrada não informa qual parcela seguiu para farinheiras nem o rendimento industrial das variedades.

O que a pesquisa de 2007 mostrou sobre a farinha do Acre

No estudo A cadeia agroindustrial da mandioca em Rondônia, publicado pela Embrapa em 2009, foram registradas compras de 41.400 sacas de 50 quilos de farinha seca de Cruzeiro do Sul, no Acre, por oito distribuidoras pesquisadas em Rondônia. O volume equivale a 2.070 toneladas em 2007 entre essas empresas.

Os distribuidores entrevistados associaram essas compras à qualidade percebida, à disponibilidade do produto e ao preço. O estudo registra as compras das distribuidoras entrevistadas em 2007, sem medir a origem ou o volume da farinha vendida hoje em Rondônia.

Arte com chamada sobre regularização da farinheira e grupo de pessoas com mandioca e farinha.
A farinheira do Belmont ainda busca regularização. Composição editorial com IA / AgoraRO.

Farinha em Rondônia exige matéria-prima e processamento adequados

Na fabricação de farinha em Rondônia, a escolha da mandioca precisa corresponder ao produto desejado. Depois vêm etapas como descascamento, trituração, prensagem e torração, conforme o tipo de farinha. A produção para venda também exige instalações e cuidados de higiene e acondicionamento adequados.

Associação Abraça prepara farinheira na estrada do Belmont

A visita da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric) à Associação Abraça tratou das condições físicas, sanitárias e dos procedimentos necessários à futura regularização da farinheira. A proposta é criar uma estrutura coletiva para beneficiar a mandioca de agricultores familiares da zona rural de Porto Velho.

Segundo a Prefeitura, a associação pretende buscar compradores como supermercados e programas de alimentação escolar após estruturar e regularizar a unidade. O comunicado não identifica as variedades de mandioca que serão utilizadas nem informa rendimento industrial, licença já concedida, produção comercial iniciada ou contratos firmados.

Composição editorial sobre farinha em Rondônia com mandioca, equipamento azul e participantes ao fundo.
Beneficiamento da mandioca representado de forma ilustrativa. Composição editorial com IA / AgoraRO.

O que falta para chegar ao varejo e às escolas

Para fornecer farinha ao varejo ou à alimentação escolar, a associação terá de atender às exigências aplicáveis ao produto e aos requisitos de cada comprador. Segundo o FNDE, ao menos 45% dos recursos federais do PNAE devem ser destinados à compra de alimentos da agricultura familiar, por chamada pública.

Essa possibilidade não significa contrato garantido para a Associação Abraça. A entidade ainda precisa concluir as adequações da farinheira, obter a regularização exigida e organizar a produção antes de buscar compradores.

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Fontes

Prefeitura de Porto Velho / Semagric — visita à Associação Abraça (01/11/2026)

Semagric — produção de mandioca em Porto Velho (referência a 2024)

Embrapa — A cadeia agroindustrial da mandioca em Rondônia (2009; pesquisa de 2007)

Embrapa — Cultivares de mandioca para mesa e indústria

Embrapa Ater+ Digital — Cultivares de mandioca

FNDE — agricultura familiar no PNAE