
O agronegócio de Rondônia pode enfrentar dificuldades para manter seu ritmo de expansão diante do crédito caro, do aumento dos custos e dos obstáculos à regularização de propriedades. A avaliação é de Tiago Martins, assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (FAPERON), em entrevista ao RuralCast. Ele também aponta o uso de dados e a industrialização como caminhos para fortalecer a competitividade da produção local.
Apresentado pelo professor Charles Carminati, o podcast do Grupo Amazun foi gravado no AgroHub da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em Cacoal, durante a cobertura do Agro&Cont 2026. O AgoraRO reúne o episódio completo e seis momentos da conversa sobre custos, crédito, políticas de apoio e informações úteis aos produtores.
Charles Carminati conversa com Tiago Martins sobre os riscos econômicos, a atuação da FAPERON e o uso de dados para o campo.
Assistir à entrevista completa no canal Olá Rondônia
Campo Futuro identifica custos do café e da soja
Uma ferramenta para entender a situação das propriedades é o Campo Futuro. Na entrevista, Tiago Martins relata levantamentos realizados com a cafeicultura de Rondônia nos últimos anos e a inclusão de soja, considerando custos das safras e depreciação dos equipamentos. O objetivo é conhecer quanto custa produzir antes de avaliar a rentabilidade de cada atividade.
O projeto, coordenado nacionalmente pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Senar, utiliza painéis com produtores e técnicos para construir referências econômicas regionais. Para o agronegócio de Rondônia, esses dados ajudam a comparar sistemas de produção e discutir políticas públicas. Os resultados são referências regionais, não o custo exato de cada propriedade.
Tiago Martins explica como os levantamentos de custos da CNA e das federações permitem comparar despesas e resultados das safras. Trecho: 03:36–04:26.
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Regularização, infraestrutura e indústria entram na agenda rural
A atuação da FAPERON, segundo o assessor, inclui a defesa de produtores de diferentes portes por meio dos sindicatos rurais. Na conversa, ele cita atividades de regularização fundiária em Espigão d’Oeste e explica como a segurança jurídica é relevante para investimentos, planejamento e continuidade das atividades no campo.
Outro desafio para o agronegócio de Rondônia é beneficiar mais produtos dentro do estado, agregando valor antes da venda. Tiago relaciona essa perspectiva à logística, à infraestrutura e à necessidade de reunir informações capazes de orientar a atração de empresas e indústrias. Ele apresenta esses pontos como prioridades de atuação, não como empreendimentos já contratados.
A FAPERON descreve a representação dos produtores, a regularização fundiária e a necessidade de infraestrutura e beneficiamento da produção. Trecho: 05:44–07:44.
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Crédito caro e custos pressionam o agronegócio de Rondônia
O alerta mais direto da entrevista aparece quando Tiago descreve a combinação de crédito caro, custos elevados e insegurança fundiária e ambiental. Na sua avaliação, esses fatores podem reduzir o ritmo de expansão do agronegócio de Rondônia, mesmo com o avanço de atividades como café, soja e mandioca. É uma análise de risco apresentada pelo convidado, e não um indicador oficial de retração já observada.
Rondônia está distante de importantes centros fornecedores e consumidores, circunstância que, conforme o entrevistado, pesa sobre o transporte de insumos e o escoamento da produção. Com margens apertadas, um problema climático ou uma decisão financeira mal calculada pode aumentar o endividamento. Para o produtor, acompanhar despesas, produtividade e condições do financiamento torna-se parte da gestão cotidiana.
O assessor relata preocupações de produtores com financiamento, insumos, custos logísticos e o risco de desaceleração. Trecho: 09:34–11:28.
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Dados e universidades podem orientar decisões no campo
Tiago resume o problema de planejamento em uma mensagem central: sem dados e informações, é difícil decidir onde investir. O assessor defende estudos que permitam comparar custos e gargalos de diferentes cadeias produtivas, considerando as particularidades das regiões de Rondônia. Esses levantamentos também podem ajudar a discutir oportunidades de agroindustrialização.
Na entrevista, ele cita a parceria com a UNIR, o IFRO e instituições de pesquisa como uma maneira de aproximar estudantes, professores e profissionais das necessidades concretas das propriedades. A proposta é transformar dados dispersos em informação útil para produtores, entidades e gestores, em vez de depender apenas de impressões sobre o mercado.
Martins destaca a importância de informações confiáveis, pesquisas e parcerias com universidades para compreender as cadeias produtivas. Trecho: 14:49–16:40.
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Painel Agro permite consultar cadeias produtivas e gerar relatórios
Para orientar decisões no agronegócio de Rondônia, Tiago apresenta o Painel Agro, plataforma que, segundo ele, facilita consultas a informações econômicas e produtivas. A ideia é permitir que produtores, sindicatos e gestores escolham uma cadeia, um município e um período para visualizar dados e comparações.
O convidado afirma que a ferramenta pode emitir um relatório em PDF, útil para reuniões e planejamento. Os dados apresentados precisam ser interpretados conforme a região, o período consultado e as características de cada atividade, para que sirvam como apoio às decisões de produção e investimento.
O entrevistado apresenta uma plataforma da FAPERON com filtros por município, atividade e período e geração de relatórios em PDF. Trecho: 18:20–20:31.
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Produtores podem levar demandas aos sindicatos e à FAPERON
Ao encerrar a conversa, Tiago convida produtores de diferentes atividades e tamanhos de propriedade a apresentar suas demandas aos sindicatos rurais. Segundo ele, essa organização facilita o encaminhamento de problemas à FAPERON e a articulação de respostas envolvendo as entidades do Sistema FAPERON/Senar.
A mensagem final combina preocupação com os obstáculos atuais e confiança na capacidade de adaptação do agronegócio de Rondônia. A entrevista mostra que o desafio não se limita a produzir mais: envolve financiamento sustentável, documentação, logística, conhecimento de custos e decisões apoiadas por informações confiáveis.
Tiago orienta produtores a procurar seus sindicatos rurais para organizar demandas e buscar atendimento junto à federação. Trecho: 21:30–22:24.
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Produção audiovisual: RuralCast / Grupo Amazun. Divulgação: canal Olá Rondônia. Apresentação: professor Charles Carminati. Entrevistado: Tiago Martins, assessor técnico da FAPERON. Os melhores momentos são intervalos do mesmo vídeo, selecionados a partir da legenda SRT fornecida.



























