
O ESG no agronegócio e sua possível relação com o desempenho financeiro de empresas do G20 são tema de uma pesquisa apresentada no RuralCast pelo mestrando Lucas Rodrigues de Souza Bispo, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). O estudo busca compreender como práticas ambientais, sociais e de governança se relacionam com endividamento e resultados de mercado. Não se trata de uma pesquisa já concluída.
A entrevista, apresentada pelo professor Dr. Éverton Gugliotti Coelho, foi gravada no AgroHub da UNIR, em Cacoal, durante a cobertura do Agro&Cont 2026, programado para 30 e 31 de outubro. O episódio do Grupo Amazun, disponibilizado pelo canal Olá Rondônia, também aborda a apicultura, políticas públicas e a formação de pesquisadores na Amazônia.
▶ Assista ao RuralCast — episódio completo
Lucas Bispo e Éverton Coelho discutem sustentabilidade, finanças e pesquisa. Duração aproximada: 27 minutos.
Assistir ao episódio completo no canal Olá Rondônia
ESG no agronegócio: o que a pesquisa da UNIR investiga no G20
A pesquisa desenvolvida por Lucas Rodrigues de Souza Bispo, no PPGAgro da UNIR, pretende investigar a relação entre endividamento e desempenho de mercado de empresas do agronegócio ligadas às economias do G20. O estudo examina se práticas ambientais, sociais e de governança — conhecidas pela sigla ESG — podem modificar essa relação.
O trabalho ainda está em desenvolvimento. Durante a entrevista, Lucas explica a proposta de analisar dados empresariais e relatórios de sustentabilidade; não anuncia uma conclusão estatística definitiva sobre o efeito das práticas ESG no custo das dívidas ou no valor das empresas.
▶ Melhor momento 1 — Pesquisa ESG no G20: dívida e desempenho
Lucas apresenta o recorte com empresas ligadas ao agronegócio, o endividamento e a análise estatística proposta. Trecho: 10:47–12:52.
Agronegócio e sustentabilidade podem avançar juntos?
Ao comentar a pesquisa, o professor Dr. Éverton Gugliotti Coelho ressalta a importância de aproximar duas áreas frequentemente tratadas como incompatíveis: agronegócio e sustentabilidade. A discussão envolve desde pequenos produtores até companhias que atuam nos mercados financeiros.
Ao estudar o ESG no agronegócio, Lucas destaca que a formação interdisciplinar ajuda a investigar os impactos ambientais, sociais e econômicos das cadeias produtivas. Para compreender essa relação, o estudo precisa trabalhar com dados, conceitos e resultados verificáveis, em vez de assumir antecipadamente que uma prática empresarial seja positiva ou negativa.
▶ Melhor momento 2 — Agronegócio e sustentabilidade: por que estudar essa relação
O apresentador e o mestrando discutem por que produção e responsabilidade socioambiental não precisam ser objetivos opostos. Trecho: 13:08–15:52.
Transparência e governança podem influenciar o acesso ao crédito
Outro ponto do ESG no agronegócio é a divulgação de informações empresariais. Na entrevista, Lucas relaciona relatórios de sustentabilidade e transparência à confiança de investidores e à avaliação das organizações que procuram financiamento.
Ele observa que parte da literatura associa boas práticas de governança a condições de crédito mais favoráveis. Essa é uma possibilidade examinada pela pesquisa, e não uma garantia de juros menores para toda empresa que divulgue informações ESG.
▶ Melhor momento 3 — Transparência corporativa, investidores e crédito
O mestrando explica uma hipótese presente na literatura: divulgação de informações pode fortalecer a confiança dos investidores. Trecho: 15:56–16:56.
Pesquisa sobre apicultura aponta desafios para a cadeia do mel em Rondônia
Além da discussão sobre ESG no agronegócio, a entrevista apresenta uma pesquisa sobre a cadeia da apicultura em Rondônia. Lucas relata que o trabalho examinou aproximadamente duas décadas de organização de um arranjo produtivo local ligado a Vilhena. Segundo a análise comentada por ele, o apoio institucional perdeu continuidade em determinados períodos.
O pesquisador diferencia essa avaliação de uma queda comprovada da produção de mel. Para ele, atividades ligadas à agricultura familiar dependem não apenas de quem produz, mas de fornecedores, comercialização, assistência técnica e capacidade de articulação entre os participantes da cadeia.
▶ Melhor momento 4 — Apicultura em Rondônia e agricultura familiar
Lucas aborda um estudo sobre o arranjo produtivo do mel, especialmente em Vilhena, e os vínculos com a agricultura familiar. Trecho: 18:38–20:12.
Continuidade das políticas públicas é desafio para os pequenos produtores
Na análise dos participantes, a continuidade das políticas públicas é importante para cadeias produtivas locais. Eles comentam que projetos de incentivo podem perder força quando a prioridade das gestões muda, afetando redes formadas por produtores, compradores e instituições de apoio.
Lucas usa a apicultura como exemplo para defender planejamento e cooperação de longo prazo. Trata-se da avaliação apresentada no podcast, sem anúncio de um programa novo ou de cortes orçamentários específicos.
▶ Melhor momento 5 — Políticas públicas e continuidade das cadeias produtivas
Os participantes avaliam como mudanças de prioridade na gestão pública podem fragilizar a articulação de cadeias locais. Trecho: 20:30–23:13.
Como estudar no PPGAgro da UNIR e conciliar mestrado com trabalho
Na parte final, o convidado conta sua trajetória da graduação em Ciências Contábeis ao mestrado em Gestão de Agronegócios e Sustentabilidade no campus de Cacoal. Ele relata a experiência de conciliar disciplinas, leitura, produção científica e atividade profissional.
Para quem pensa em ingressar no PPGAgro, Lucas recomenda acompanhar os editais e preparar um pré-projeto alinhado às linhas de pesquisa. Informações sobre número de vagas, calendário, requisitos e documentação devem ser verificadas no edital de cada seleção; a entrevista não constitui anúncio de inscrições abertas.
▶ Melhor momento 6 — Mestrado da UNIR: seleção, pré-projeto e rotina
Lucas relata a trajetória na universidade, o processo seletivo, a elaboração do pré-projeto e a conciliação dos estudos com o trabalho. Trecho: 23:36–26:49.
Por que essa pesquisa importa para Rondônia?
O debate sobre ESG no agronegócio aproxima a gestão de grandes empresas de questões que também afetam cadeias regionais: financiamento, transparência, assistência técnica e continuidade das iniciativas de apoio. No RuralCast, as análises sobre o G20 e a apicultura são trabalhos distintos, apresentados pelo mesmo pesquisador.
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