A Organização Mundial da Saúde (OMS) pré-qualificou uma apresentação em frasco multidose da vacina contra VSR para gestantes RSVpreF, comercializada como Abrysvo. A decisão, anunciada em 9 de setembro, não cria uma nova vacina: a novidade é a apresentação multidose, pensada para reduzir custos e facilitar campanhas de maior escala.
No Brasil, o imunizante já tem registro da Anvisa desde 2024 e integra a estratégia do SUS para gestantes desde dezembro de 2025. A nova apresentação multidose, porém, ainda não tem adoção específica confirmada no país. A pré-qualificação da OMS também não significa compra automática pelo governo brasileiro nem incorporação imediata ao SUS.
O que muda com a versão multidose
A apresentação de dose única da RSVpreF já havia sido pré-qualificada pela OMS em março de 2025. Agora, o organismo internacional incluiu a opção em frasco multidose. Segundo a OMS, esse formato tende a tornar a vacinação materna contra o vírus sincicial respiratório mais acessível e simples de organizar, especialmente em programas de grande escala e em países apoiados pela Gavi.
A expectativa está ligada principalmente à logística e ao custo. Um frasco que reúne mais de uma dose pode facilitar o planejamento de campanhas e reduzir despesas em determinados cenários. Isso, porém, não permite afirmar qual será o preço final no Brasil nem se a apresentação será adquirida pelo SUS.
A OMS informa que o desenvolvimento da apresentação multidose teve apoio da Gates Foundation. O produto continua sendo a mesma vacina materna RSVpreF; portanto, a decisão não representa um novo princípio ativo nem uma vacina diferente daquela já conhecida.
Como a vacina contra VSR para gestantes protege o bebê
A vacina é aplicada na gestante, não diretamente no bebê. Depois da imunização, o organismo materno produz anticorpos contra o VSR. Essas defesas atravessam a placenta antes do nascimento e oferecem proteção temporária ao recém-nascido nos primeiros meses de vida, quando há maior risco de complicações respiratórias.
A OMS recomenda a aplicação da vacina contra VSR para gestantes no terceiro trimestre, a partir da 28ª semana. A estratégia busca proteger especialmente os primeiros seis meses de vida do bebê.
O peso global da doença ajuda a explicar essa prioridade. A OMS estima mais de 3,6 milhões de hospitalizações e cerca de 100 mil mortes por VSR por ano entre crianças menores de 5 anos. Quase metade dessas mortes ocorre antes dos 6 meses, e aproximadamente 97% se concentram em países de baixa e média renda.

Quem pode receber a vacina no SUS
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra o VSR para todas as gestantes, em cada gestação, a partir da 28ª semana, sem restrição de idade materna. A estratégia está disponível na rede pública desde dezembro de 2025 e também alcança as gestantes atendidas pelo SUS em Rondônia.
Em julho de 2026, o Ministério divulgou resultado preliminar de acompanhamento segundo o qual a vacinação materna esteve associada a uma redução de 52,5% nos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por VSR em bebês menores de 6 meses. O estudo ainda está em andamento e estimou cerca de 6,8 mil casos graves evitados. Esse resultado se refere à estratégia brasileira de vacinação e não à nova apresentação multidose anunciada agora pela OMS.
O que significa a pré-qualificação da OMS
Pré-qualificação não é o mesmo que registro sanitário no Brasil. Trata-se de uma avaliação técnica da OMS usada para orientar compras por agências das Nações Unidas e apoiar programas nacionais de imunização. O processo considera critérios como qualidade, segurança, eficácia, boas práticas de fabricação, apresentação e requisitos operacionais.
Na prática, essa análise pode facilitar aquisições por organismos internacionais, como o UNICEF, e por programas apoiados pela Gavi. Ainda assim, cada país mantém seus próprios processos regulatórios e decisões de compra.
Nova apresentação ainda não está confirmada no SUS
A Anvisa registrou a Abrysvo em 1º de abril de 2024 para imunização ativa de gestantes com o objetivo de proteger crianças desde o nascimento até os 6 meses contra doença do trato respiratório inferior causada pelo VSR. Até a checagem realizada para esta matéria, não foi localizada confirmação específica de registro da nova apresentação multidose no país.
Também não há confirmação de compra ou adoção dessa apresentação pelo Ministério da Saúde. Portanto, a notícia da OMS deve ser entendida como um passo internacional que pode ampliar opções de fornecimento e logística, sem alterar automaticamente o esquema hoje disponível no SUS.
Para a gestante que busca o serviço público, a orientação permanece a mesma: verificar a vacinação a partir da 28ª semana em uma unidade de saúde. A decisão da OMS não muda, por si só, o público-alvo nem cria uma nova etapa de vacinação no Brasil.































