Um boletim da Embrapa Rondônia analisou a viabilidade econômica do café canéfora em Alta Floresta d’Oeste usando como referência um sistema de três hectares. O estudo não mede uma propriedade específica nem promete renda: reúne custos, produtividade, preço e indicadores financeiros de um modelo representativo.
O Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento nº 88 foi publicado em agosto de 2026. A base veio de painel realizado em setembro de 2025 com cerca de 30 cafeicultores e técnicos da Emater-RO. Para o café canéfora em Alta Floresta, os pesquisadores organizaram um ciclo econômico de dez anos.
Café canéfora em Alta Floresta foi analisado em módulo de 3 hectares
O chamado ano típico corresponde ao quarto ano desde a implantação. Nessa etapa, o café canéfora em Alta Floresta foi calculado com produtividade de 90 sacas de 60 quilos por hectare e preço de referência de R$ 950 por saca. O custo total chegou a R$ 50.697,54 por hectare.
Custo por saca ficou em R$ 563,31
No modelo do café canéfora em Alta Floresta, o custo foi de R$ 563,31 por saca, com diferença de R$ 386,69 para o preço de referência. A tabela do ano típico registra lucro líquido anual de R$ 104.406,30 nos três hectares, equivalente a R$ 8.700,53 por mês.
Esses valores dependem das premissas utilizadas. Mudanças de produtividade, preço recebido, mão de obra, insumos ou beneficiamento alteram o resultado. Por isso, a análise do café canéfora em Alta Floresta deve ser lida como referência econômica regional, e não como renda garantida.
Ciclo de 10 anos tem caixa negativo no começo
No horizonte de dez anos, o café canéfora em Alta Floresta soma 1.908 sacas nos três hectares, média de 63,6 sacas por hectare ao ano. O primeiro ano não tem produção e os dois primeiros apresentam fluxo de caixa negativo. A partir do terceiro, o fluxo líquido passa a ser positivo no modelo.

Imagem editorial ilustra a cafeicultura. Os valores pertencem a um modelo econômico e não representam renda garantida para uma propriedade específica.
Payback foi de 3 anos com desconto de 10%
Nos indicadores do café canéfora em Alta Floresta, a TIR ficou em 51,4%. O payback descontado foi de três anos com taxa de 10% ao ano. A relação benefício/custo foi de 1,44 a 6%, 1,39 a 8%, 1,34 a 10% e 1,29 a 12%.
Alta Floresta integra Matas de Rondônia
Alta Floresta d’Oeste integra a área geográfica da Denominação de Origem Matas de Rondônia. Isso ajuda a contextualizar o café canéfora em Alta Floresta, mas não significa que todo café produzido no município possa usar automaticamente a denominação ou o selo; é necessário cumprir as regras da indicação geográfica.
A publicação apresenta números diferentes para “renda familiar” no resumo, no corpo e na conclusão. Por esse motivo, o AgoraRO não destaca esse indicador. A leitura fica concentrada em custos, produtividade, preço, fluxo de caixa, TIR, B/C e payback.
Outro cuidado é não confundir 90 sacas por hectare do ano típico com a média de 63,6 sacas do ciclo de dez anos. No café canéfora em Alta Floresta, esses indicadores descrevem momentos diferentes do mesmo modelo econômico.
A conclusão prática é separar referência de promessa. O sistema analisado apresentou viabilidade nos parâmetros testados pela Embrapa, mas cada propriedade precisa comparar seus próprios custos, produtividade, preços, mão de obra e horizonte de investimento antes de usar o resultado como base de decisão.
Fontes: Embrapa Rondônia — Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento nº 88; INPI — Denominação de Origem Matas de Rondônia.































