quinta-feira, setembro 10, 2026
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Estudo da Embrapa aponta viabilidade do café canéfora em Alta Floresta

Painel com cerca de 30 cafeicultores e técnicos da Emater definiu o sistema de referência; resultados variam conforme produtividade, preços e custos.

Café canéfora em Alta Floresta em composição editorial de colheita em lavoura
Imagem editorial ilustra a cafeicultura; os valores pertencem a um modelo econômico da Embrapa.

Um boletim da Embrapa Rondônia analisou a viabilidade econômica do café canéfora em Alta Floresta d’Oeste usando como referência um sistema de três hectares. O estudo não mede uma propriedade específica nem promete renda: reúne custos, produtividade, preço e indicadores financeiros de um modelo representativo.

O Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento nº 88 foi publicado em agosto de 2026. A base veio de painel realizado em setembro de 2025 com cerca de 30 cafeicultores e técnicos da Emater-RO. Para o café canéfora em Alta Floresta, os pesquisadores organizaram um ciclo econômico de dez anos.

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Café canéfora em Alta Floresta foi analisado em módulo de 3 hectares

O chamado ano típico corresponde ao quarto ano desde a implantação. Nessa etapa, o café canéfora em Alta Floresta foi calculado com produtividade de 90 sacas de 60 quilos por hectare e preço de referência de R$ 950 por saca. O custo total chegou a R$ 50.697,54 por hectare.

Ano típico do modelo

Área: 3 hectares
Produtividade: 90 sacas/ha
Preço: R$ 950 por saca
Custo: R$ 50.697,54 por hectare

Custo por saca ficou em R$ 563,31

No modelo do café canéfora em Alta Floresta, o custo foi de R$ 563,31 por saca, com diferença de R$ 386,69 para o preço de referência. A tabela do ano típico registra lucro líquido anual de R$ 104.406,30 nos três hectares, equivalente a R$ 8.700,53 por mês.

Esses valores dependem das premissas utilizadas. Mudanças de produtividade, preço recebido, mão de obra, insumos ou beneficiamento alteram o resultado. Por isso, a análise do café canéfora em Alta Floresta deve ser lida como referência econômica regional, e não como renda garantida.

Ciclo de 10 anos tem caixa negativo no começo

No horizonte de dez anos, o café canéfora em Alta Floresta soma 1.908 sacas nos três hectares, média de 63,6 sacas por hectare ao ano. O primeiro ano não tem produção e os dois primeiros apresentam fluxo de caixa negativo. A partir do terceiro, o fluxo líquido passa a ser positivo no modelo.

Ciclo considerado

Produção: 1.908 sacas nos 3 ha
Média: 63,6 sacas/ha/ano
Caixa negativo: anos I e II

café canéfora em Alta Floresta é analisado em estudo econômico da Embrapa Rondônia

Imagem editorial ilustra a cafeicultura. Os valores pertencem a um modelo econômico e não representam renda garantida para uma propriedade específica.

Payback foi de 3 anos com desconto de 10%

Nos indicadores do café canéfora em Alta Floresta, a TIR ficou em 51,4%. O payback descontado foi de três anos com taxa de 10% ao ano. A relação benefício/custo foi de 1,44 a 6%, 1,39 a 8%, 1,34 a 10% e 1,29 a 12%.

Leitura correta dos indicadores

B/C de 1,44 corresponde especificamente à taxa de 6%.
O retorno em três anos é o payback calculado a 10% ao ano.
O boletim traz valores divergentes para renda familiar; esse indicador não é usado nesta matéria.

Alta Floresta integra Matas de Rondônia

Alta Floresta d’Oeste integra a área geográfica da Denominação de Origem Matas de Rondônia. Isso ajuda a contextualizar o café canéfora em Alta Floresta, mas não significa que todo café produzido no município possa usar automaticamente a denominação ou o selo; é necessário cumprir as regras da indicação geográfica.

A publicação apresenta números diferentes para “renda familiar” no resumo, no corpo e na conclusão. Por esse motivo, o AgoraRO não destaca esse indicador. A leitura fica concentrada em custos, produtividade, preço, fluxo de caixa, TIR, B/C e payback.

Outro cuidado é não confundir 90 sacas por hectare do ano típico com a média de 63,6 sacas do ciclo de dez anos. No café canéfora em Alta Floresta, esses indicadores descrevem momentos diferentes do mesmo modelo econômico.

A conclusão prática é separar referência de promessa. O sistema analisado apresentou viabilidade nos parâmetros testados pela Embrapa, mas cada propriedade precisa comparar seus próprios custos, produtividade, preços, mão de obra e horizonte de investimento antes de usar o resultado como base de decisão.

Fontes: Embrapa Rondônia — Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento nº 88; INPI — Denominação de Origem Matas de Rondônia.