quinta-feira, julho 16, 2026
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Cidades brasileiras crescem sem plano e ampliam desigualdades

Primeiro episódio do PontoDeVista aborda periferização, especulação imobiliária, gentrificação e caminhos para cidades mais justas.

Mariana Monteiro e Benny Schvarsberg debatem crescimento urbano sem planejamento no PontoDeVista
Mariana Monteiro entrevista Benny Schvarsberg no primeiro episódio da série especial sobre ocupação urbana.

Crescimento urbano sem planejamento, desigualdade territorial e participação popular são os temas centrais do primeiro episódio da série especial “Ocupação Urbana”, do programa PontoDeVista, produzido pela Câmara dos Deputados.

A apresentadora Mariana Monteiro entrevista Benny Schvarsberg, professor da Universidade de Brasília e especialista em planejamento e projeto do espaço urbano. A conversa percorre a transformação do Brasil em um país urbano e os problemas que surgiram quando a infraestrutura não acompanhou essa mudança.

O crescimento urbano sem planejamento ajuda a explicar a expansão das periferias, a falta de saneamento, os deslocamentos longos, a ocupação de áreas inadequadas e a concentração dos melhores serviços em regiões valorizadas.

▶️ Ative o som e acompanhe o episódio completo

Benny Schvarsberg analisa planos diretores, função social da propriedade, especulação imobiliária, gentrificação e participação popular.

Crescimento urbano sem planejamento ampliou desigualdades

Schvarsberg explica que o Brasil passou por uma rápida transformação a partir da segunda metade do século 20. Em poucas décadas, a maioria da população deixou as áreas rurais e passou a viver em cidades.

A infraestrutura, porém, não avançou na mesma velocidade. Água, esgoto, drenagem, transporte, escolas, unidades de saúde e espaços de lazer ficaram concentrados em determinadas áreas, enquanto a população de menor renda foi empurrada para regiões mais distantes.

Ao analisar o crescimento urbano sem planejamento, o especialista destaca que a localização da moradia influencia o acesso ao trabalho, à educação, à saúde e às oportunidades de renda.

▶️ Veja o trecho sobre a urbanização brasileira

O professor explica por que a passagem rápida de um país rural para urbano produziu precariedade e desigualdade.

Planos diretores não podem ser apenas cópias

O Estatuto da Cidade tornou o plano diretor obrigatório para determinados municípios, mas a existência do documento não garante sua aplicação. Segundo o entrevistado, muitos planos foram elaborados sem capacidade técnica local ou adaptados de outras cidades.

Nesse ponto, o crescimento urbano sem planejamento continua mesmo quando existe uma lei aprovada. O problema aparece quando o plano não considera as características do território, as atividades econômicas, as necessidades da população e os investimentos previstos.

O que um plano precisa considerar

Território: áreas ocupadas, vazios urbanos, zonas de risco e expansão futura.

População: moradia, trabalho, mobilidade e acesso a serviços públicos.

Execução: orçamento, obras, licenciamento, fiscalização e participação social.

▶️ Assista ao trecho sobre planos diretores

O episódio mostra por que documentos genéricos ou guardados nas prateleiras não conseguem organizar as cidades.

Função social define como cada área deve ser utilizada

O entrevistado afirma que o plano diretor deve estabelecer a destinação das áreas da cidade. Moradia, comércio, serviços, educação, saúde, lazer, segurança e proteção ambiental precisam fazer parte dessa organização.

A discussão mostra que o crescimento urbano sem planejamento também é favorecido pela retenção de terrenos vazios em regiões que já receberam pavimentação, transporte, energia, água ou outras redes públicas.

O Estatuto da Cidade estabelece instrumentos relacionados à função social da propriedade e à organização do desenvolvimento urbano.

▶️ Veja o trecho sobre função social da propriedade

Benny Schvarsberg explica como o plano diretor deve orientar a utilização de cada parte da cidade.

Gentrificação pode expulsar moradores após a valorização

Gentrificação é o processo em que uma área recebe investimentos, valoriza e passa a ser ocupada por pessoas com maior poder econômico. Moradores tradicionais enfrentam aumento de preços e podem perder condições de permanecer no local.

Quando o crescimento urbano sem planejamento se combina com a valorização imobiliária, famílias de menor renda são empurradas para periferias mais distantes e passam mais tempo no deslocamento entre casa, trabalho e estudo.

Leitura analítica

Melhorar a cidade sem expulsar quem vive nela

Investimento: obras e serviços podem elevar o preço da terra.

Risco: famílias e pequenos negócios podem ser afastados.

Caminho: revitalização, moradia e proteção social precisam avançar juntas.

▶️ Assista ao trecho sobre gentrificação

O especialista explica como a valorização pode substituir moradores tradicionais por grupos de maior renda.

Na parte final da entrevista, Schvarsberg defende a recuperação de áreas centrais com mistura de moradia, comércio, educação, saúde, cultura, lazer e serviços públicos.

Enfrentar o crescimento urbano sem planejamento exige conhecimento técnico, mas também participação democrática. Moradores precisam compreender as propostas e ter condições de influenciar planos, projetos, obras e decisões sobre o uso do território.

▶️ Veja os caminhos apontados no episódio

A entrevista destaca centros urbanos vivos, diversidade de usos e planejamento construído com a sociedade.

O que acompanhar na sua cidade

Plano diretor: revisões, mapas, zoneamento e instrumentos previstos.

Orçamento: investimentos em saneamento, drenagem, mobilidade e moradia.

Participação: audiências, consultas, conselhos e conferências municipais.

O episódio mostra que o crescimento urbano sem planejamento não decorre apenas da ausência de leis. O problema também está na falta de execução, fiscalização, capacidade técnica e participação social.

Com linguagem clara, o programa transforma o crescimento urbano sem planejamento em um debate sobre moradia, mobilidade, infraestrutura e direito à cidade. O episódio completo está disponível no canal da Câmara dos Deputados no YouTube.