quinta-feira, julho 16, 2026
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Arquitetura hostil põe em debate a cidade para todos em Rondônia

Luciana Saboia analisa exclusão urbana, privatização de áreas públicas e caminhos aplicáveis a Porto Velho e outros municípios.

Mariana Monteiro e Luciana Saboia debatem cidade para todos e arquitetura hostil no PontoDeVista
Mariana Monteiro entrevista Luciana Saboia sobre exclusão urbana, áreas públicas, arborização e arquitetura hostil.

Cidade para todos, arquitetura hostil e uso dos espaços públicos são os temas centrais do terceiro episódio da série “Ocupação Urbana”, do programa PontoDeVista, produzido pela Câmara dos Deputados.

Mariana Monteiro entrevista Luciana Saboia, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, sobre quem participa da cidade planejada e quem continua afastado de transporte, lazer, arborização, cultura e infraestrutura.

Embora a conversa tenha alcance nacional, ela ajuda a observar Porto Velho e outros municípios de Rondônia. Construir uma cidade para todos significa organizar ruas, praças, calçadas, equipamentos e áreas verdes para acolher diferentes pessoas, em vez de afastá-las.

▶️ Ative o som e acompanhe o episódio completo

Luciana Saboia fala sobre exclusão urbana, arquitetura hostil, arborização, muros, condomínios fechados, reocupação dos centros e participação comunitária.

Uma cidade para todos precisa enxergar quem está à margem

Luciana afirma que o planejamento deveria atender pessoas de diferentes rendas e territórios. Na prática, os grupos mais vulneráveis costumam sofrer primeiro com falta de saneamento, transporte, equipamentos culturais, lazer e acesso a áreas bem estruturadas.

A distância também deve ser medida pelo tempo. Horas gastas no deslocamento diminuem o convívio familiar e a possibilidade de usar praças, parques e outros espaços coletivos.

▶️ Veja para quem a cidade deveria ser planejada

A professora relaciona renda, território, mobilidade e qualidade de vida.

Árvores, luz e caminhos seguros ajudam a acolher

A impermeabilização do solo e a falta de árvores não afetam apenas a paisagem. Elas interferem na temperatura, na ventilação, no conforto das moradias e na permanência das pessoas ao ar livre.

Para existir uma cidade para todos, parques, calçadas, passarelas e pontos de encontro precisam ter iluminação, acessibilidade e conexão com os trajetos cotidianos. A arquitetura ajuda, mas a gestão e o uso contínuo também são decisivos.

O espaço acolhe quando oferece

Sombra: árvores e áreas verdes reduzem desconforto e favorecem permanência.

Acesso: calçadas e passagens precisam atender pessoas com diferentes condições de mobilidade.

Convivência: iluminação, bancos e atividades ajudam a manter o local vivo.

▶️ Assista ao trecho sobre áreas verdes e convivência

Luciana explica como arborização, ventilação e iluminação influenciam o bem-estar urbano.

Arquitetura hostil transforma desenho urbano em exclusão

Pinos, divisórias e superfícies inclinadas podem ser instalados para impedir que alguém se sente, descanse ou durma. O episódio defende que pessoas em situação de rua precisam de políticas públicas e respeito, não de estruturas criadas para expulsá-las.

A Lei Padre Júlio Lancellotti proíbe técnicas construtivas hostis em espaços livres de uso público. A regra reforça que uma cidade para todos deve promover conforto, abrigo, descanso, bem-estar e acessibilidade.

O texto oficial pode ser consultado no portal do Planalto.

▶️ Entenda o que é arquitetura hostil

A entrevista mostra por que o espaço público não deve usar o desenho urbano como forma de afastamento.

O que o debate revela para Porto Velho

O conceito de cidade para todos também aparece nos princípios do Plano Diretor Participativo de Porto Velho, que prevê inclusão territorial, justiça socioambiental, mobilidade com acessibilidade e acesso aos equipamentos públicos.

A capital também possui um Plano Diretor de Arborização Urbana, que trata as árvores como instrumento de qualidade de vida e prevê integração com a infraestrutura. Na prática, uma cidade para todos exige sombra, acessibilidade, segurança e espaços utilizáveis sem barreiras físicas ou sociais.

Rondônia em foco

Como reconhecer uma cidade para todos

Calçadas: circulação contínua, segura e acessível.

Áreas verdes: árvores conectadas ao planejamento de ruas e equipamentos.

Uso público: mobiliário que acolha idosos, jovens, pessoas com deficiência e população em situação de rua.

Muros e espaços fechados podem esvaziar a rua

Luciana alerta que muros altos, condomínios fechados e grandes equipamentos isolados reduzem a relação entre edifícios e rua. O que parece proteção pode deixar o caminho mais vazio e aumentar a sensação de insegurança.

Construir uma cidade para todos também depende de fachadas ativas, pequenos comércios, atividades comunitárias, hortas e diferentes usos convivendo no mesmo território.

▶️ Veja o debate sobre privatização e muros

A professora explica como o fechamento dos lotes pode reduzir os chamados “olhos da rua”.

O que o morador pode acompanhar

Projetos: observe se novas praças e calçadas têm sombra, bancos e acessibilidade.

Gestão: acompanhe manutenção, iluminação e atividades que mantenham os locais ocupados.

Participação: audiências e conselhos ajudam a levar a experiência dos bairros ao planejamento.

O episódio mostra que uma cidade para todos não nasce apenas de grandes obras. Ela depende de decisões diárias sobre árvores, calçadas, bancos, iluminação, transporte, patrimônio e respeito às pessoas.

Em Rondônia, o debate convida moradores e gestores a observar se cada intervenção aproxima a população do espaço urbano ou cria novas barreiras. O programa completo está no canal da Câmara dos Deputados no YouTube.