
Os acidentes de trabalho em Rondônia somaram 7.519 notificações em 2025, segundo o Boletim Epidemiológico do CEREST estadual. Na tabela de evolução dos casos, o documento registra 101 “óbitos pelo acidente”, além de milhares de ocorrências com incapacidade temporária.
Os dados estaduais ganham novo contexto com o Pacto Pela Vida do Trabalhador e da Trabalhadora, instituído pelo Ministério da Saúde. O programa nacional torna obrigatória a investigação de óbitos suspeitos ou confirmados como relacionados ao trabalho e estabelece prazo de até 180 dias para conclusão, salvo prorrogação tecnicamente justificada.
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O que muda com o novo programa nacional
A nova regra muda a forma de apurar mortes ligadas aos acidentes de trabalho em Rondônia e nos demais estados. O Pacto Pela Vida do Trabalhador e da Trabalhadora cria uma estratégia nacional para investigar mortes suspeitas ou confirmadas como relacionadas ao trabalho. Podem entrar nessa apuração acidentes, intoxicações, doenças, mortes súbitas e violências interpessoais ou autoprovocadas quando houver elementos que indiquem vínculo com a atividade laboral.
A investigação também pode alcançar ocorrências no trajeto de ida ou volta do trabalho e situações registradas em outros locais, desde que existam elementos que apontem a relação com o trabalho. O processo inclui identificação, notificação, investigação epidemiológica, análise dos ambientes e processos de trabalho, intervenção e monitoramento.
Regra geral: conclusão em até 180 dias
Exceção: prorrogação mediante justificativa técnica
Vigência: a Portaria GM/MS nº 12.111/2026 entra em vigor 60 dias após a publicação
Acidentes de trabalho em Rondônia tiveram 101 óbitos pelo acidente
O boletim do CEREST contabiliza 7.519 notificações de acidentes de trabalho em Rondônia em 2025. Na evolução dos casos, aparecem 3.664 registros de incapacidade temporária, 3.038 de cura, 62 de incapacidade parcial permanente e 13 de incapacidade total permanente.
A tabela registra ainda 101 óbitos pelo acidente e dois óbitos por outras causas. Por isso, o número de 101 deve ser apresentado com a classificação usada no próprio boletim, sem ampliar a interpretação para toda morte ocorrida em contexto de trabalho no estado.

Trabalhadores de 20 a 49 anos concentram mais de 75% dos casos
Nos acidentes de trabalho em Rondônia, o documento aponta que pessoas de 20 a 34 anos responderam por 44% das notificações e a faixa de 35 a 49 anos, por 30,7%. Somadas, essas duas faixas reúnem mais de três quartos dos registros analisados.
O boletim associa essa concentração à população em idade ativa e destaca que a incapacidade temporária foi o desfecho mais frequente. A presença de 75 incapacidades permanentes e 101 óbitos reforça a gravidade dos eventos registrados, mas não permite estimar quantos acidentes deixaram de ser notificados.
Construção, agro e transporte aparecem entre os setores críticos
Na análise ocupacional, o boletim destaca atividades ligadas à construção civil e ao setor agropecuário entre as de maior impacto. Pedreiros, trabalhadores agropecuários, trabalhadores volantes da agricultura e serventes de obras aparecem entre as ocupações com maior número de notificações.
O documento também chama atenção para o risco envolvendo motoristas e motociclistas. Nesses grupos, acidentes em serviço ou no trajeto podem resultar em desfechos graves. Essa leitura ajuda a contextualizar os acidentes de trabalho em Rondônia sem transformar o ranking de ocupações em uma medida direta de letalidade de cada setor.
Por que investigar os óbitos pode melhorar a prevenção
Ao investigar os acidentes de trabalho em Rondônia e em outras unidades da Federação, o novo programa nacional busca transformar cada apuração em informação para identificar fatores de risco e orientar medidas que evitem novas mortes. Estados, municípios e os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador terão responsabilidades na vigilância e no apoio técnico às apurações.
O cruzamento com os dados de Rondônia não significa que o pacto tenha sido criado por causa dos números estaduais. A relação editorial está no fato de que o novo modelo de investigação passa a valer nacionalmente enquanto o boletim local mostra a dimensão das notificações e dos desfechos graves registrados em 2025.
Boletim alerta para subnotificação de doenças ocupacionais
Além dos acidentes agudos, o CEREST chama atenção para uma discrepância entre os registros de acidentes e os de doenças ocupacionais. O próprio boletim considera que esse cenário sugere subnotificação e aponta dificuldades na identificação e oficialização do nexo entre adoecimento e trabalho.
Essa observação não autoriza calcular uma taxa de subnotificação. O dado disponível mostra apenas que o sistema registra com mais facilidade eventos agudos e visíveis, enquanto doenças relacionadas ao trabalho podem enfrentar barreiras de reconhecimento e notificação.
Fontes: Ministério da Saúde — Pacto Pela Vida do Trabalhador e da Trabalhadora; Boletim Epidemiológico CEREST Rondônia 2025.






























