sexta-feira, julho 24, 2026
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Cooperativas podem melhorar renda e segurança de catadores em Rondônia

Pesquisa comparou trabalho em lixão e cooperativa e identificou melhorias que interessam à gestão de resíduos em Rondônia.

Cooperativas de catadores organizam triagem de materiais recicláveis em Rondônia
Organização coletiva pode ampliar proteção, renda e participação dos trabalhadores.

Um estudo divulgado pela Fundacentro mostra que a organização dos trabalhadores da reciclagem pode transformar as condições de renda, saúde e segurança. As cooperativas de catadores foram associadas a melhorias importantes quando comparadas ao trabalho realizado de maneira desorganizada em lixões.

A pesquisa analisou a experiência de trabalhadores de Presidente Prudente, em São Paulo, e entrevistou 47 dos 90 cooperados. Entre os avanços identificados estão uso de equipamentos de proteção individual, capacitação, prevenção de acidentes, participação nas decisões e distribuição igualitária da renda.

Embora o estudo tenha sido realizado fora da Região Norte, os resultados interessam diretamente a Rondônia. As cooperativas de catadores podem fortalecer a coleta seletiva, gerar renda e reduzir a exposição dos trabalhadores a materiais cortantes, contaminados ou descartados de forma inadequada.

Neste artigo, você vai ver:
  • o que mudou com as cooperativas de catadores;
  • como a organização coletiva pode reduzir riscos;
  • por que o tema interessa aos municípios de Rondônia;
  • qual é o papel da coleta seletiva e dos moradores;
  • quais limites precisam ser considerados.

O que o estudo encontrou nas cooperativas de catadores

Segundo a Fundacentro, as cooperativas de catadores analisadas permitiram avanços que ultrapassam o valor recebido no fim do mês. O trabalho passou a contar com equipamentos de proteção, treinamentos, programas de prevenção de acidentes e uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes.

A gestão também se tornou mais participativa. Os próprios cooperados passaram a administrar as áreas operacionais e administrativas, com decisões coletivas e possibilidade de atuação em diferentes funções. Esse modelo favorece maior autonomia e reduz a dependência de intermediários na comercialização dos recicláveis.

Mudanças identificadas
Proteção: adoção de EPIs e programas de prevenção de acidentes.
Gestão: trabalhadores participam das decisões administrativas e operacionais.
Renda: distribuição organizada entre os integrantes da experiência estudada.

Segurança depende de estrutura e prevenção

O trabalho com resíduos pode envolver contato com vidro quebrado, objetos perfurocortantes, rejeitos contaminados, poeira, esforço físico e movimentação de cargas. Por isso, as cooperativas de catadores precisam combinar equipamentos adequados, treinamento, locais seguros de triagem e procedimentos para situações de acidente.

A simples formalização de um grupo não elimina os riscos. Galpões sem ventilação, máquinas sem proteção, falta de água potável ou ausência de destinação correta dos rejeitos podem manter condições inadequadas mesmo dentro de uma organização coletiva.

Proteção precisa ser contínua
EPI: luvas, botas e outros itens devem ser adequados ao risco.
Treinamento: trabalhadores precisam saber operar máquinas e separar rejeitos.
Ambiente: galpão, esteira, prensa e área de armazenamento exigem manutenção.

Por que o tema interessa a Rondônia

Em Rondônia, municípios ainda enfrentam desafios para ampliar a separação de resíduos e evitar que materiais recicláveis sejam enviados junto com o lixo comum. O fortalecimento das cooperativas de catadores pode ajudar a estruturar coleta, triagem, prensagem e comercialização, desde que existam contratos, infraestrutura e fiscalização.

Em Ji-Paraná, a prefeitura autorizou em maio de 2026 o processo de contratação e credenciamento da Coocamarji para atividades de recebimento, coleta, triagem e processamento. Na publicação oficial, o procedimento ainda estava em fase final de tramitação, o que exige diferenciar autorização administrativa de serviço efetivamente contratado e funcionando.

O que os municípios precisam organizar
Coleta: definir bairros, frequência, veículos e materiais aceitos.
Triagem: oferecer estrutura segura para separação e armazenamento.
Contratação: assegurar regras claras, remuneração e acompanhamento do serviço.

Moradores também influenciam a qualidade da reciclagem

A organização das cooperativas de catadores depende da forma como os materiais chegam aos trabalhadores. Embalagens com restos de comida, vidro solto, seringas, lâminas e lixo de banheiro aumentam riscos e podem inutilizar parte dos recicláveis.

O morador pode colaborar separando papel, papelão, plástico, vidro e metal dos resíduos orgânicos. Embalagens devem estar vazias, enquanto materiais cortantes precisam ser protegidos e identificados conforme a orientação do serviço local. Antes de separar, é importante confirmar o que a coleta seletiva do município realmente recebe.

Separação responsável em casa
Limpeza: retire restos de alimentos antes do descarte.
Segurança: proteja vidro e outros materiais que possam cortar.
Informação: consulte dias, pontos e regras da coleta no município.

Cooperativa não resolve todos os problemas sozinha

Os resultados da pesquisa indicam benefícios possíveis, mas não significam que toda cooperativa garanta automaticamente renda justa, segurança ou acesso completo a direitos. A experiência estudada possui contexto próprio e não pode ser repetida de forma idêntica em todos os municípios.

Para que as cooperativas de catadores produzam avanços duradouros em Rondônia, é necessário combinar organização dos trabalhadores, apoio técnico, educação ambiental, contratos transparentes e participação dos moradores. Sem essas condições, a formalização pode existir apenas no papel.