A carne de jacaré do Cuniã entrou em uma nova etapa de documentação sobre origem, história do manejo e conhecimento local. O trabalho reúne documentos e relatos sobre a comunidade, a cooperativa e o início da cadeia produtiva dentro da Reserva Extrativista Lago do Cuniã, em Porto Velho.
Esse avanço ainda não significa registro concedido pelo INPI nem garante renda, preço ou mercado. Se houver concessão, o uso dependerá da área delimitada, das regras técnicas e dos produtores habilitados; o manejo continuará sujeito às exigências ambientais da Resex.
Antes da IG, existe uma história de manejo no Cuniã
A possível valorização da carne de jacaré do Cuniã não começa em setembro de 2026. O ICMBio registra a Resex como unidade federal de uso sustentável, onde comunidades tradicionais desenvolvem atividades produtivas sob regras de conservação. O manejo integra esse histórico com pesquisa, monitoramento e organização comunitária.
Essa trajetória importa porque uma Indicação Geográfica precisa demonstrar vínculo entre produto e território. No Cuniã, modo de produção, regras e experiência acumulada fazem parte da identidade que o estudo tenta documentar.
Quando conservação também se transforma em trabalho e renda
O manejo ocorre dentro de uma reserva extrativista e não é caça livre. A atividade depende de regras, monitoramento e autorizações; em unidades de uso sustentável, conservação e atividades econômicas comunitárias precisam conviver sob controle.
A cadeia tem histórico de comercialização regulamentada de carne e couro, mas números antigos não descrevem 2026. A divulgação atual não informa cota, quantidade de animais, volume de carne, preço ou famílias beneficiadas neste ano.
Quem poderia se beneficiar de uma Indicação Geográfica
Pelas regras do INPI, uma IG exige área delimitada, descrição do produto, caderno de especificações e controle de uso. Portanto, uma futura IG não seria um “selo da Prefeitura” nem direito automático de qualquer comércio de carne de jacaré.
O valor está também na origem e no conhecimento local
Histórias e documentos ajudam a demonstrar como a cadeia se formou, quem participa dela e quais práticas foram construídas ao longo do tempo. Em uma IG, fatores humanos e territoriais podem sustentar a proteção de uma origem.
Adegilton Alves Lopes, morador citado pela Prefeitura, relacionou a possível IG a maior valor e reconhecimento do produto. A fala expressa expectativa individual e não comprova resultado econômico para toda a comunidade.

Estudo avançou para levantamento de documentos e histórias
Em 7 de setembro, a Prefeitura informou que a equipe levanta documentos, histórias e informações sobre comunidade, cooperativa e início do manejo. Participam Sebrae, Semagric, CoopCuniã, Asmucum, ICMBio e Ibama. A estimativa divulgada é de um ano e meio a dois anos.
Há divergência entre publicações municipais sobre o ano do diagnóstico anterior: uma fala em 2024 e outra em 2025. Sem o estudo primário que resolva a diferença, o ponto seguro é dizer que a etapa atual dá continuidade a um diagnóstico já realizado.
O que uma IG pode mudar — e o que não garante
O INPI aponta que uma Indicação Geográfica pode diferenciar produtos, preservar tradições e melhorar o acesso ao mercado. Para a carne de jacaré do Cuniã, isso pode fortalecer a origem e organizar regras comuns de uso do nome.
O selo ainda não existe. A fase atual é de estudo e documentação; eventual pedido terá de passar pelas etapas formais do INPI. Por enquanto, o avanço concreto é organizar em documentos uma história construída no próprio território.
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Fontes: Agência de Notícias de Porto Velho, ICMBio e Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

































