quinta-feira, agosto 27, 2026
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Como o cacau de Rondônia chegou ao pódio nacional por cinco anos seguidos

Genética, manejo, fermentação e secagem ajudam a explicar por que produtores do estado aparecem entre os melhores do país desde 2021.

Fruto aberto e amêndoas mostram a origem e a qualidade do cacau de Rondônia
Rondônia aparece há cinco anos seguidos entre os premiados do concurso nacional de cacau especial.

O cacau de Rondônia já não chega a uma disputa nacional apenas para participar. Desde 2021, produtores do estado aparecem todos os anos entre os premiados do Concurso Nacional de Cacau Especial. Em 2026, 43 amostras produzidas em oito municípios estão sendo mobilizadas para a oitava edição — uma trajetória que começa muito antes da avaliação dos jurados.

A qualidade construída no campo passa por genética, manejo, colheita e pelo cuidado depois que o fruto é aberto. Fermentação, secagem, seleção e armazenamento podem preservar ou comprometer o potencial da amêndoa. É nessa combinação entre material adaptado, técnica e pós-colheita que a qualidade do cacau de Rondônia vem ganhando identidade própria.

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Cinco anos seguidos entre os melhores do país

A sequência começou em 2021, quando Mauro Celso Tauffer, de Buritis, ficou em 3º lugar no Varietal. Em 2022, Deoclides Pires da Silva, de Jaru, venceu a categoria. Em 2023, Deoclides repetiu o título e Robson Tomaz de Castro Calandrelli, de Nova União, venceu na Mistura.

Em 2024, Mauro voltou ao pódio com 3º lugar no Varietal e 2º na Mistura. Em 2025, conquistou o 1º lugar no Varietal, enquanto Luíz Anastácio da Silva, de Cacoal, ficou em 3º. O histórico oficial confirma Rondônia entre os três primeiros em todas as edições de 2021 a 2025.

O que mudou no cacau de Rondônia

Uma análise do Centro de Inovação do Cacau reuniu 141 amostras produzidas no estado e identificou perfil com acidez cítrica, frutas tropicais — especialmente amarelas — e notas amendoadas, vegetais, florais e de especiarias. Isso não significa que todo lote seja igual, mas mostra atributos recorrentes capazes de diferenciar a origem.

Capacitações, assistência técnica e devolutivas de análise ajudam o produtor a identificar defeitos e corrigir etapas. Sebrae, Senar, Seagri, Emater-RO, Ceplac, IFRO, Cacauron e CIC aparecem como suporte dessa construção, mas o resultado final depende do trabalho dentro da propriedade.

Genética é apenas o começo

Pesquisa científica publicada em 2026 acompanhou 30 clones do cacau de Rondônia durante sete safras. O estudo destacou EEOP 33, EEOP 63, EEOP 65, EEOP 80 e Ipiranga 1 entre os materiais mais produtivos e estáveis, com ganho genético estimado de 64,66%.

O resultado mostra avanço na adaptação produtiva, mas não autoriza dizer que esses clones sejam os mesmos usados nas 43 amostras de 2026 ou que expliquem sozinhos as premiações.

Fermentação e secagem ajudam a definir a qualidade

Depois da colheita, o cacau de Rondônia passa por uma etapa decisiva: quebra do fruto, fermentação, secagem, seleção e armazenamento. A fermentação ajuda a desenvolver precursores de aroma e sabor; quando mal conduzida, pode criar defeitos. A secagem também precisa ser controlada para evitar mofo, reumidificação ou sabores indesejados.

Por isso, bom material genético não basta. Um pós-colheita bem conduzido preserva atributos e reduz defeitos que podem eliminar uma amostra antes da fase final.

Fermentação e secagem ajudam a construir a qualidade do cacau de Rondônia
A qualidade da amêndoa depende de uma sequência que passa por fruto, fermentação, secagem, seleção e armazenamento. Imagem editorial gerada para o AgoraRO.

43 amostras de oito municípios miram a edição de 2026

Em 2026, o cacau de Rondônia chega à nova edição com 43 amostras produzidas em oito municípios, segundo mobilização informada pelo Sebrae em Rondônia para o VIII Concurso Nacional de Cacau Especial. O edital mantém inscrições e recebimento de amostras até 28 de agosto, no Centro de Inovação do Cacau, em Ilhéus.

O número não equivale a 43 produtores. Cada participante pode inscrever até um lote Varietal e um lote Mistura, desde que cumpra as exigências. Até o fechamento desta produção, a fonte oficial falava em amostras a serem enviadas, e não em 43 inscrições já homologadas.

O que os jurados procuram em um cacau especial

O edital exige umidade entre 6% e 8% e defeitos de até 3% para avançar na classificação físico-química. Depois, as melhores amostras passam por provas cegas de líquor e chocolate. A nota final combina 70% do comitê técnico, 20% do júri externo e 10% da sustentabilidade da propriedade.

Isso ajuda a explicar por que qualidade não significa apenas um cacau “mais doce”. Acidez, amargor, adstringência, sabor de cacau e atributos positivos precisam formar um conjunto equilibrado.

Qualidade pode ampliar o valor da produção

Em 2024, o cacau de Rondônia somou cerca de 8.677 toneladas, colocou o estado na 4ª posição nacional e registrou rendimento médio de 1.251 quilos por hectare. Em 2023, o INPI reconheceu “Rondônia” como Indicação de Procedência para cacau em amêndoas.

O reconhecimento não significa que todo produtor use automaticamente a IG nem garante preço maior. Mas qualidade consistente, origem reconhecida e presença em concursos podem abrir espaço para compradores especializados e produtos de maior valor agregado. É assim que o pódio passa a representar uma transformação mais profunda na cadeia do cacau de Rondônia.

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Fontes: site oficial do Concurso Nacional de Cacau Especial e edital 2026; Sebrae Rondônia; Centro de Inovação do Cacau; Scientific Reports; Ceplac/Ministério da Agricultura; Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).