sábado, julho 25, 2026
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Água na irrigação responde por metade da retirada no Brasil

Dados da ANA reforçam a necessidade de conciliar produção agrícola, regularização e segurança hídrica no campo.

Água na irrigação é monitorada por produtor e técnica em propriedade rural de Rondônia
Planejamento técnico ajuda a adequar a irrigação à cultura, ao solo e à disponibilidade do manancial.

A água na irrigação respondeu por 50,3% da retirada nacional destinada aos usos consuntivos em 2024, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. A agricultura irrigada retirou 1.056,30 metros cúbicos por segundo, enquanto todos os setores somaram 2.098,7 metros cúbicos por segundo.

Em Rondônia, a água na irrigação exige planejamento técnico para sustentar a produção durante o período seco sem pressionar os mananciais. A decisão deve considerar a necessidade da cultura, a umidade do solo, o método de aplicação e a disponibilidade da fonte. Os 50,3% retratam o cenário nacional; para Rondônia, não há percentual estadual nesse levantamento.

Neste artigo, você vai ver
  • o que significa o indicador nacional sobre água na irrigação;
  • como eficiência e produtividade se relacionam no campo;
  • quando consultar a ANA ou a Sedam antes da captação;
  • quais cuidados ajudam a proteger solo, nascentes e áreas ciliares.

Retirada de água não é sinônimo de desperdício

Retirada é o volume captado de rios, reservatórios, lagos ou aquíferos para atender uma finalidade. Parte pode retornar ao ambiente; outra parcela é consumida pelas plantas, evapora ou permanece ligada ao processo produtivo. Por isso, o indicador mede captação e não autoriza concluir que metade da água do país foi desperdiçada pela agricultura.

A ANA estimou cerca de 66,37 trilhões de litros retirados em 2024 por todos os setores. O dado dimensiona o peso da água na irrigação entre os usos consuntivos. Em Rondônia, ele deve ser lido como referência nacional, sem conversão para um volume estadual.

Os números da água na irrigação

Agricultura irrigada: retirada de 1.056,30 m³/s em 2024.

Participação nacional: 50,3% dos usos consuntivos.

Todos os setores: retirada total de 2.098,7 m³/s.

Recorte: números nacionais, sem percentual específico para Rondônia.

Produtividade depende de solo, clima e manejo

Comparações nacionais citadas pela ANA apontam produtividade 3,6 vezes maior no arroz irrigado, 2,5 vezes no feijão e 2,2 vezes no trigo em relação a lavouras de sequeiro. Esses resultados variam conforme clima, solo, cultivar, estrutura disponível, assistência técnica e manejo adotado em cada propriedade.

Quando bem planejada, a água na irrigação pode reduzir a dependência exclusiva das chuvas e dar mais regularidade à produção. Em Rondônia, a análise deve considerar o período seco, a umidade do solo e o calendário agrícola, como ocorre no planejamento orientado pelo ZARC da soja para a safra 2026/2027.

Antes de captar água

Identifique: se a fonte é superficial, subterrânea, estadual ou de domínio da União.

Consulte: a ANA ou a Sedam, conforme a dominialidade do recurso hídrico.

Avalie: disponibilidade do manancial, cultura, solo e período de uso.

Busque: assistência técnica antes de instalar ou ampliar o sistema.

Evite: iniciar captação, perfuração ou bombeamento sem verificar as exigências aplicáveis.

Outorga organiza o acesso ao recurso hídrico

A outorga organiza o direito de uso e ajuda a compatibilizar diferentes demandas sobre a mesma fonte. A ANA autoriza usos em corpos hídricos de domínio da União, como rios que atravessam mais de um estado ou território estrangeiro. Nos demais casos, a competência pode ser estadual.

Em Rondônia, a Coordenadoria de Recursos Hídricos da Sedam reúne orientações sobre águas estaduais e subterrâneas. A regularização da água na irrigação depende da origem da captação, das características do uso e do órgão competente. Mesmo quando houver dispensa de outorga, outras exigências podem continuar válidas.

Produção com segurança hídrica

Aplicação ajustada: a água na irrigação deve atender à necessidade da cultura, ao solo e à disponibilidade local.

Monitoramento: umidade e funcionamento ajudam a evitar aplicações desnecessárias.

Manutenção: filtros, tubulações e conexões precisam de verificação periódica.

Solo protegido: cobertura e conservação reduzem erosão e melhoram a retenção.

Mananciais preservados: nascentes e áreas ciliares devem integrar o planejamento.

Água na irrigação exige decisão técnica em Rondônia

O uso de água na irrigação deve reunir assistência técnica, análise do solo, necessidade da cultura e disponibilidade do manancial. Um sistema inadequado ou mal operado pode elevar custos e aumentar a pressão sobre uma fonte compartilhada por comunidades, animais, cidades e outras propriedades.

Projetos de conservação de água e solo mostram como microbacias, nascentes e propriedades podem ser tratadas de forma integrada. O desafio da água na irrigação é manter a produção sem reduzir a disponibilidade necessária às próximas safras e aos demais usuários.