O levantamento de atendimentos de urgência em Porto Velho divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) nesta segunda-feira, 26 de outubro, aponta 208.824 classificações verdes ou azuis nos serviços municipais de urgência e emergência, de janeiro a agosto de 2026. Esses registros representam 65,3% dos 319.645 atendimentos com classificação de risco no período.
Além dos atendimentos de urgência, a Semusa também informou 43.770 faltas a consultas agendadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) entre janeiro e setembro. São levantamentos com períodos e finalidades diferentes. Os dados ajudam a explicar como funciona a prioridade nas UPAs, quando a UBS pode ser a referência e por que sintomas graves exigem assistência imediata.
Onde estão os atendimentos de urgência em Porto Velho classificados como verdes e azuis
Entre os serviços com maior volume de registros nas cores verde e azul, a UPA Zona Leste contabilizou 52.564 atendimentos; a UPA Zona Sul, 51.657; e o Pronto-Atendimento Ana Adelaide, 40.503. Esses números são subtotais de três unidades, não uma lista completa de estabelecimentos nem o total municipal.
O relatório do Departamento de Média e Alta Complexidade (DMAC) agrupa os atendimentos de urgência em Porto Velho registrados nos dois primeiros quadrimestres do ano. Isso não equivale ao número de moradores diferentes: uma mesma pessoa pode ter procurado o serviço mais de uma vez. A Semusa não publicou, nesse balanço, a contagem de pacientes únicos.
Nos atendimentos de urgência, a expressão baixa urgência resume os grupos verde e azul, mas há uma diferença: verde indica um caso pouco urgente e azul, um caso não urgente na avaliação realizada. Nenhuma dessas cores prova, sozinha, que a procura pela UPA foi equivocada ou desnecessária. A situação do paciente precisa ser examinada por profissional de saúde.
Como as cinco cores organizam os atendimentos de urgência
A triagem dos atendimentos de urgência utiliza o Protocolo de Manchester, que organiza a prioridade segundo sinais, sintomas e gravidade clínica. Na entrada, profissionais de enfermagem fazem a classificação de risco. Por isso, uma pessoa que chegou depois pode ser atendida antes de outra cuja condição foi avaliada como menos urgente.
Na orientação da Semusa sobre a classificação por cores, vermelho representa emergência e atendimento imediato; laranja, situação muito urgente; amarelo, urgência; verde, pouca urgência; e azul, situação não urgente. A classificação serve para estabelecer prioridades e orientar o fluxo de assistência.
A cor não é escolhida pelo paciente a partir de uma lista na internet. Ela depende da avaliação presencial da equipe. Os prazos de referência do protocolo também não devem ser interpretados como garantia de tempo real de espera em cada unidade, pois a demanda e a condição clínica dos pacientes variam.
O fato de mais da metade dos atendimentos de urgência em Porto Velho ter recebido as duas cores de menor prioridade reforça o papel da atenção básica no cuidado de rotina. Ainda assim, não permite concluir que todas essas pessoas poderiam esperar por uma consulta agendada sem avaliação.

Quando buscar UBS e quando ir a uma UPA ou pronto-atendimento
A UBS é a referência preferencial para vacinação, prevenção, consultas programadas, acompanhamento de doenças crônicas e avaliação de sintomas leves sem sinais de gravidade. O cuidado contínuo permite acompanhar a evolução de uma condição de saúde, solicitar avaliações necessárias e orientar o retorno.
Já a UPA ou o pronto-atendimento (PA) recebe atendimentos de urgência e emergência em situações agudas que exigem avaliação mais rápida, como dor intensa no peito, falta de ar importante, acidentes e piora repentina do estado geral. Nesses casos, o paciente não deve aguardar uma consulta na UBS apenas para tentar evitar a unidade de urgência.
Essa distinção importa para quem acompanha os atendimentos de urgência em Porto Velho, mas não substitui diagnóstico. Uma dor aparentemente simples pode merecer atenção urgente dependendo da intensidade, duração, outros sintomas e condições da pessoa. Na dúvida diante de quadro grave ou súbito, é preciso buscar atendimento imediato.
Para situações leves fora do horário convencional, há também serviços municipais de atendimento noturno, com regras próprias de funcionamento. O guia do AgoraRO sobre o Corujão da Saúde explica essa alternativa em Porto Velho; ela não substitui UPA ou emergência.
Quando ligar para o SAMU 192 em vez de esperar atendimento
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é acionado gratuitamente pelo telefone 192, 24 horas por dia. Conforme o Ministério da Saúde, a central avalia o chamado, orienta quem está no local e define o envio de equipe quando necessário.
A orientação federal inclui entre as situações de acionamento suspeita de infarto ou AVC, dificuldade respiratória grave, perda de consciência, convulsões, acidentes com vítimas, afogamentos e outras condições com risco de morte ou sequelas. Ao ligar, informe a localização, os sintomas e o estado da pessoa e siga as instruções recebidas.
O número 192 não é serviço de transporte para consultas ou exames programados. Mas não se deve perder tempo tentando determinar uma cor de Manchester antes de buscar socorro quando há sinais graves. O atendimento de emergência é prioridade independentemente das estatísticas de casos verdes e azuis.
O AgoraRO também publicou informações sobre a estrutura do SAMU de Porto Velho; para solicitar ajuda em uma emergência, o canal é sempre o 192.
Faltas às consultas nas UBS somaram 43.770 até setembro
O segundo indicador divulgado pela Semusa vem do Departamento de Atenção Básica (DAB): 43.770 ausências em consultas agendadas de janeiro a setembro de 2026. Entre as unidades com números destacados estão a UBS Castanheiras (1.987), Agenor de Carvalho (1.941) e Caladinho (1.684). Esses recortes não representam todas as faltas do município.
As ausências podem dificultar o aproveitamento das vagas reservadas. A secretaria pede que pacientes que já saibam que não poderão comparecer avisem à própria UBS, preferencialmente com antecedência, para que a equipe avalie a organização da agenda conforme a disponibilidade do serviço.
O comunicado não especifica um número telefônico único ou um procedimento digital padronizado de cancelamento para todas as UBS. Por isso, a orientação é procurar o canal de contato da unidade onde a consulta foi marcada. Também não há detalhamento público das razões de cada falta, como dificuldades de transporte, saúde ou incompatibilidade de horário.
As 43.770 ausências não integram os atendimentos de urgência contabilizados até agosto: esse segundo levantamento diz respeito a consultas agendadas na atenção básica e abrange nove meses, enquanto os 319.645 atendimentos classificados na urgência referem-se a oito meses. Não existe base para somar esses números ou inferir uma relação direta de causa e efeito.
O que o levantamento permite concluir sobre a rede
Os dados mostram que a maioria dos atendimentos de urgência em Porto Velho com classificação de risco recebeu prioridade verde ou azul entre janeiro e agosto, enquanto as UBS tiveram milhares de faltas às consultas de janeiro a setembro. Os dois movimentos colocam em evidência a importância de orientar a população e facilitar o acesso adequado a cada ponto da rede.
Na análise dos atendimentos de urgência, os números não demonstram, por si, quanto tempo alguém esperou, quantos atendimentos poderiam ter sido realizados na UBS ou por que pacientes faltaram a consultas. A classificação de risco é uma avaliação clínica, não uma nota sobre o comportamento de quem procurou ajuda.
Para consultar a origem dos dados sobre atendimentos de urgência e as recomendações, o cidadão pode acessar o levantamento da Semusa divulgado em 26 de outubro. Na prática, a referência é simples: acompanhamento e prevenção na UBS; casos agudos que não podem esperar na UPA ou PA; e SAMU 192 diante de emergência que exija socorro pré-hospitalar.
































