quarta-feira, julho 1, 2026
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Projeto de Ariquemes reduz reincidência e inspira lei estadual contra violência doméstica

Dados apresentados em Ariquemes apontam menor descumprimento de medidas protetivas entre participantes do projeto.

Projeto Face a Face reforça orientação, prevenção e atuação integrada da rede de proteção à mulher em Rondônia.
Projeto Face a Face reforça orientação, prevenção e atuação integrada da rede de proteção à mulher em Rondônia.

Uma experiência criada em Ariquemes pela rede de proteção à mulher inspirou uma proposta estadual de enfrentamento à violência doméstica em Rondônia. O projeto Face a Face, desenvolvido com participação do Ministério Público de Rondônia e instituições parceiras, serviu de base para o Projeto de Lei nº 1.450/26, aprovado recentemente pela Assembleia Legislativa.

Segundo o Ministério Público de Rondônia, a iniciativa busca prevenir reincidência, fortalecer a proteção às vítimas e promover ações reflexivas e multidisciplinares. O foco do trabalho é a atuação integrada, sem exposição de vítimas ou casos individuais.

Neste artigo, você vai ver:

  • como o projeto Face a Face surgiu em Ariquemes;
  • quais instituições atuam na rede de proteção;
  • o que mostram os dados sobre medidas protetivas;
  • quais canais oficiais podem ser acionados em caso de violência doméstica.

Projeto Face a Face nasceu de ação integrada em Ariquemes

O projeto Face a Face é uma iniciativa desenvolvida pelo MPRO e por órgãos da rede de proteção à mulher em Ariquemes. Na cidade, o trabalho conta com atuação da 6ª e 7ª Promotorias de Justiça, do Poder Judiciário, da Polícia Militar, por meio da Patrulha Maria da Penha do 7º BPM, e da Casa Noeli dos Santos.

Palestra do projeto Face a Face em auditório institucional, com participantes sentados e orientação sobre medidas protetivas e violência doméstica.Projeto Face a Face, desenvolvido em Ariquemes, reúne rede de proteção à mulher em ações de orientação, diálogo e prevenção à violência doméstica.

A proposta combina orientação, escuta, conscientização, acompanhamento institucional e reeducação de agressores, com objetivo de enfrentar a reincidência e o descumprimento de medidas protetivas.

Rede integrada
Quem participa em Ariquemes

MPRO: 6ª e 7ª Promotorias de Justiça.

Polícia Militar: Patrulha Maria da Penha do 7º BPM.

Rede de apoio: Judiciário e Casa Noeli dos Santos.

Projeto Face a Face inspira lei estadual

O Projeto de Lei nº 1.450/26 foi estruturado a partir do trabalho realizado em Ariquemes. A norma prevê a implementação, pelos municípios, de programa homônimo voltado a políticas públicas de prevenção e redução da violência doméstica.

Conforme o art. 2º da lei, o programa busca prevenir reincidência, reduzir descumprimento de medidas protetivas, oferecer orientação jurídica, psicológica e social, fortalecer mecanismos de proteção às vítimas e apoiar Judiciário, Ministério Público e demais órgãos.

A promotora de Justiça Elba Souza de Albuquerque e Silva Chiappetta afirmou que a aprovação representa uma vitória da rede de proteção. Segundo ela, o programa Face a Face contribuirá para a proteção de vítimas, conscientização de réus e alteração da realidade social.

Objetivos da proposta

Prevenção: reduzir reincidência de violência doméstica.

Proteção: fortalecer medidas protetivas e apoio às vítimas.

Reeducação: promover conscientização sobre os impactos da violência.

Dados indicam menor descumprimento de medidas

De março de 2025 a maio de 2026, foram realizadas 13 edições do projeto Face a Face em Ariquemes. Ao todo, 915 pessoas foram intimadas a comparecer às atividades, e 383 tornaram-se participantes efetivas.

Entre os participantes efetivos, apenas 1,5% descumpriram medidas protetivas de urgência. Entre os não participantes, o índice de descumprimento chegou a aproximadamente 20%. Os números são relevantes, mas não devem ser tratados como promessa de resultado automático ou definitivo.

Dados de Ariquemes

13 edições entre março de 2025 e maio de 2026.

915 pessoas intimadas a comparecer.

383 participantes efetivos na iniciativa.

Prevenção depende de rede ativa

A proposta do projeto Face a Face é tratar a violência doméstica como problema que exige proteção, responsabilização e acompanhamento. Na prática, o projeto Face a Face reforça que medidas protetivas precisam ser respeitadas e que a prevenção depende de atuação contínua das instituições.

O MPRO informou que a iniciativa serviu de inspiração para a norma estadual. A tramitação do Projeto de Lei nº 1.450/26 pode ser consultada no sistema oficial da Assembleia Legislativa de Rondônia.

Canais oficiais de denúncia

Polícia Militar: 190.

Ouvidoria MPRO: 127.

WhatsApp: (69) 999 770 127 e (69) 999 770 180.

Formulário eletrônico: acessar canal da Ouvidoria das Mulheres do MPRO.

Para a população, a mensagem central é de serviço público: violência doméstica deve ser denunciada, medidas protetivas precisam ser cumpridas e a rede de proteção deve ser acionada sempre que houver risco. O projeto Face a Face não elimina sozinho o problema, mas oferece uma metodologia de prevenção e acompanhamento que passou a orientar o debate em Rondônia.