
Reposição hormonal é um dos temas centrais do novo episódio do Vida Plena, que discute as mudanças hormonais da maturidade e explica por que menopausa e alterações da testosterona precisam ser avaliadas de forma individual. Em três blocos, o programa percorre sintomas, diagnóstico, exames, tratamento e hábitos que ajudam mulheres e homens a cuidar da saúde ao longo do envelhecimento.
Apresentado por Henrique Prata Filho, o episódio recebe Larissa Sargentini, endocrinologista do Hospital de Amor; Ana Carla Ubinha, ginecologista do Hospital de Amor e professora da FACISB; e Roberto Dias Machado, coordenador do Setor de Urologia do Hospital de Amor. A conversa parte das dúvidas comuns do consultório para mostrar quando uma mudança faz parte do processo natural e quando merece investigação médica.
Menopausa e andropausa: o que muda com a transição hormonal
No primeiro bloco, Ana Carla explica que menopausa é a data da última menstruação, reconhecida retrospectivamente depois de um período sem novos ciclos. Antes disso, a mulher pode atravessar a perimenopausa, fase em que a menstruação tende a ficar irregular e podem aparecer sintomas como ondas de calor, alterações do sono, irritabilidade e mudanças de memória. A intensidade e a combinação dos sinais variam de pessoa para pessoa.
Roberto destaca que, nos homens, a situação não é uma reprodução da menopausa. A testosterona tende a mudar gradualmente ao longo dos anos e muitos homens passam pela maturidade sem sintomas relevantes. Quando surgem cansaço, perda de força, alterações sexuais, mudanças de humor ou outras queixas, é preciso investigar o conjunto da saúde, porque os mesmos sinais também podem estar relacionados a estresse, doenças crônicas, sono e outras condições.
Larissa reforça essa leitura ampla: idade, peso, doenças metabólicas e outros hormônios podem interferir na avaliação. Por isso, o episódio evita tratar qualquer sintoma isolado como prova de deficiência hormonal e destaca a importância de ouvir o paciente antes de definir conduta.
Os especialistas explicam as diferenças entre a transição hormonal feminina e masculina e os sinais que merecem atenção.
Diagnóstico hormonal exige sintomas, contexto clínico e exames bem indicados
O segundo bloco começa com uma pergunta prática: quais exames realmente ajudam? Ana Carla explica que, em mulheres com idade e sintomas compatíveis com a transição natural, o diagnóstico da menopausa costuma ser principalmente clínico. Exames como FSH e estradiol ganham importância em situações de dúvida, em pacientes mais jovens ou quando há condições que podem alterar o funcionamento dos ovários, inclusive depois de determinados tratamentos ou procedimentos.
Nos homens, a avaliação também não deve se limitar a um resultado laboratorial isolado. Roberto e Larissa relacionam a investigação da testosterona às queixas apresentadas, ao exame clínico e à necessidade de excluir outras causas. Obesidade, alterações metabólicas, medicamentos, estresse e doenças crônicas aparecem no debate como fatores que podem interferir no quadro e mudar a interpretação.
O ponto em comum é a individualização: o programa mostra que pedir exames sem uma pergunta clínica clara pode gerar interpretações equivocadas. O resultado precisa ser lido junto com sintomas, idade, histórico e condições de saúde, especialmente quando a pessoa já passou por tratamento oncológico ou apresenta outras comorbidades.
A conversa mostra quando o diagnóstico pode ser clínico, quando exames ajudam e por que um número isolado não define o tratamento.
Reposição hormonal precisa de indicação, segurança e acompanhamento
No terceiro bloco, a reposição hormonal entra no centro da discussão. Ana Carla explica que a decisão para mulheres considera sintomas, idade, tempo desde a última menstruação, histórico clínico e possíveis contraindicações. O programa cita situações como câncer de mama, trombose, AVC e infarto entre os antecedentes que exigem atenção especial e podem impedir ou modificar a estratégia terapêutica.
A via de administração também faz parte da decisão. Gel, adesivo e comprimidos têm características diferentes, e a escolha depende do perfil da paciente, das condições associadas e da rotina de uso. Os especialistas alertam ainda para produtos e implantes sem segurança ou eficácia adequadamente estabelecidas e reforçam que terapia hormonal não é uma necessidade automática para todas as pessoas.
Entre os homens, Roberto ressalta que o tratamento com testosterona só deve ser discutido quando houver sintomas compatíveis, confirmação laboratorial e avaliação especializada. Casos envolvendo próstata ou outras condições exigem análise ainda mais individualizada. A mensagem do bloco é que tanto a falta quanto o uso desnecessário de hormônios podem trazer problemas e que a dose e a indicação não devem ser decididas por conta própria.
O fechamento aborda indicação, contraindicações, formas de tratamento e cuidados para mulheres e homens.
Cuidado hormonal também passa por sono, movimento e acompanhamento de rotina
O episódio termina ampliando o foco para além dos medicamentos. Os convidados destacam sono adequado, hidratação, alimentação, atividade física possível para cada pessoa, controle do peso, atenção ao diabetes e à pressão, redução do tabagismo e do consumo de álcool e cuidado com a saúde emocional. A ideia é construir mudanças graduais e sustentáveis.
Ana Carla lembra que a maturidade também é momento de revisar rastreamentos e consultas de rotina. Henrique acrescenta a importância de manter a vacinação atualizada. Assim, a reposição hormonal, quando necessária, aparece como uma parte de um cuidado maior — não como solução isolada para todas as mudanças do envelhecimento.
Sintomas hormonais podem ter causas diferentes. As informações do programa são educativas e não substituem avaliação médica individual, exames indicados pelo profissional nem acompanhamento especializado.
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