
Os feminicídios em Rondônia tiveram a maior queda percentual do país entre janeiro e julho de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) consolidados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O estado passou de 17 vítimas no mesmo período de 2025 para 6 neste ano, redução de 64,7%.
O recuo é muito superior à média brasileira, de 3,2%, e contrasta com a Região Norte, que praticamente ficou estável: foram 85 vítimas entre janeiro e julho de 2025 e 84 em 2026. A melhora no indicador de Rondônia, porém, não transforma o resultado em motivo de comemoração. Seis mulheres ainda foram mortas em contexto classificado como feminicídio.
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Feminicídios em Rondônia: estado registra a maior redução percentual do país
O levantamento do MJSP mostra 848 vítimas de feminicídio no Brasil entre janeiro e julho de 2026, contra 876 no mesmo período de 2025. A diferença é de 28 vítimas, ou 3,2%. Das 27 unidades da Federação, 14 tiveram queda, duas ficaram estáveis e 11 registraram aumento.
Rondônia lidera as reduções percentuais, com 64,7%. Depois aparecem Piauí, com 57,1%; Maranhão, com 42,4%; Acre e Roraima, ambos com 40%; e Distrito Federal, com 31,3%. O percentual rondoniense precisa ser lido junto dos números absolutos.
De 17 para 6 vítimas: o que os números mostram
A passagem de 17 para 6 representa 11 vítimas a menos em sete meses. Como o total estadual é menor que o de estados mais populosos, alterações de poucos casos produzem variações percentuais maiores. Isso ajuda a explicar por que os feminicídios em Rondônia tiveram queda percentual tão distante da média nacional.
A redução de 64,7% se refere exclusivamente ao indicador feminicídio. Ela não permite concluir que violência doméstica, ameaça, lesão corporal ou tentativa de feminicídio tenham caído na mesma proporção.
Região Norte praticamente ficou estável
A comparação dos feminicídios em Rondônia com o restante da Região Norte reforça o tamanho da mudança no estado. O Norte passou de 85 para 84 vítimas, queda de apenas 1,2%. Enquanto Rondônia, Acre e Roraima reduziram os registros, Amazonas, Amapá, Pará e Tocantins tiveram aumento no recorte de janeiro a julho.
| Estado | 2025 | 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Acre | 5 | 3 | -40,0% |
| Amazonas | 9 | 13 | +44,4% |
| Amapá | 6 | 9 | +50,0% |
| Pará | 36 | 42 | +16,7% |
| Rondônia | 17 | 6 | -64,7% |
| Roraima | 5 | 3 | -40,0% |
| Tocantins | 7 | 8 | +14,3% |
A soma dos sete estados fecha os totais informados pelo Ministério da Justiça: 85 vítimas em 2025 e 84 em 2026. Rondônia teve 11 vítimas a menos dentro de uma região que terminou o período com redução de apenas uma vítima no conjunto.

Queda não significa que o problema deixou de ser grave
Mesmo com a redução dos feminicídios em Rondônia, o próprio MJSP ressalta que não existe número aceitável de feminicídios. A trajetória nacional também não é uniforme: Sul e Centro-Oeste tiveram aumento. O dado de Rondônia ainda precisa ser acompanhado nos próximos meses antes de ser tratado como tendência consolidada.
Rondônia mantém ações de prevenção, proteção e segurança voltadas às mulheres, mas os dados do Sinesp não demonstram que uma iniciativa específica tenha causado a queda. Uma relação de causa e efeito exigiria avaliação própria.
Como os dados de feminicídio são monitorados
O monitoramento dos feminicídios em Rondônia integra a base nacional alimentada pelos estados e pelo Distrito Federal. O indicador feminicídio é contabilizado pelo total de vítimas, conforme a classificação adotada no sistema nacional.
Os números podem ser atualizados conforme as bases estaduais são consolidadas. Neste levantamento, a comparação usa janeiro a julho de 2025 e o mesmo período de 2026. É nesse recorte que os feminicídios em Rondônia passaram de 17 para 6 vítimas.
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Fontes:
Ministério da Justiça e Segurança Pública — balanço de janeiro a julho de 2026;
MJSP — Panorama dos feminicídios;
Sinesp — base de dados e notas metodológicas.
































