segunda-feira, junho 22, 2026
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Uso diário de suplementos pode trazer riscos quando feito sem orientação

Vitaminas, minerais e fórmulas naturais exigem avaliação profissional, rótulo conferido e cuidado com promessas das redes sociais.

Suplementos diários podem trazer riscos à saúde quando usados sem orientação profissional
Especialistas alertam que o uso combinado de cápsulas, vitaminas e pós pode causar riscos quando não há acompanhamento.

O uso de suplementos diários virou parte da rotina de muitas pessoas que buscam mais energia, imunidade, desempenho físico ou melhora estética. Mas especialistas alertam que o consumo sem orientação pode fazer o caminho contrário: em vez de proteger a saúde, pode sobrecarregar rins, fígado e sistema digestivo.

A preocupação cresce porque vitaminas, minerais, cápsulas naturais, fórmulas em pó, ômega-3, probióticos e produtos à base de ervas são frequentemente vendidos como aliados do bem-estar. O problema aparece quando diferentes itens são combinados sem avaliação profissional, com doses altas ou por tempo prolongado.

O alerta é maior porque muitos consumidores usam suplementos diários sem exames, sem acompanhamento e sem saber se há repetição de nutrientes entre os produtos.

Rotina sob alerta

Quando o excesso vira risco

Rinspodem sofrer com doses elevadas e uso contínuo
Fígadopode ser afetado por fórmulas e extratos concentrados
Remédiospodem ter interação com alguns compostos

Suplementos diários exigem mais cautela

Os suplementos diários podem ter papel importante quando existe deficiência nutricional, necessidade clínica ou indicação para determinados perfis, como atletas, idosos, gestantes ou pessoas com restrições alimentares. Ainda assim, o uso deve considerar exames, histórico de saúde, alimentação e medicamentos em uso.

A reportagem da BBC News Brasil mostra que o consumo regular se tornou comum e, em alguns casos, exagerado. Parte dos usuários toma vários produtos ao mesmo tempo, acreditando que a soma de cápsulas, pós e gotas sempre resultará em mais saúde.

Esse raciocínio, segundo especialistas, é perigoso. O corpo não aproveita todos os nutrientes da mesma forma, e algumas substâncias podem se acumular, competir pela absorção ou causar efeitos inesperados.

Por isso, os suplementos diários devem ser vistos como apoio pontual à alimentação, e não como solução automática para cansaço, imunidade ou desempenho.

Pontos de atenção

O que pode dar errado

Dose duplicada: multivitamínicos podem repetir nutrientes já presentes em outros produtos.
Mistura inadequada: ferro, cálcio e magnésio juntos podem competir na absorção.
Uso prolongado: algumas vitaminas ficam armazenadas no organismo por mais tempo.

Rins e fígado podem ser afetados

Um dos pontos de alerta envolve o impacto dos suplementos diários sobre os rins e o fígado. A BBC relata o caso de uma influenciadora que consumia diferentes produtos, como vitamina C, vitamina D, cúrcuma e eletrólitos, até descobrir uma grande pedra nos rins.

O relato não significa que todo suplemento cause esse tipo de problema. Porém, mostra como a rotina de consumo pode sair do controle quando a pessoa combina vários itens acreditando que todos são inofensivos por serem vendidos sem prescrição.

Especialistas também chamam atenção para suplementos de ervas e extratos concentrados. Em doses altas ou usados por longo período, alguns produtos podem aumentar o risco de lesões hepáticas, especialmente quando há mistura com remédios ou doenças pré-existentes.

Antes de tomar

Checklist seguro

1. Verifique se existe necessidade real de suplementação.
2. Leia a dose diária recomendada no rótulo.
3. Informe ao médico se já usa medicamentos.
4. Evite copiar indicação de influenciadores ou amigos.

Redes sociais ampliam a pressão pelo consumo

A popularização dos suplementos diários também está ligada à publicidade nas redes sociais. Produtos são apresentados como soluções rápidas para cansaço, foco, pele, sono, menopausa, performance e emagrecimento, muitas vezes com linguagem que aproxima suplemento de tratamento.

No Brasil, a Anvisa orienta que suplemento alimentar não é medicamento e não deve ser tratado como solução para prevenir, curar ou tratar doenças. O objetivo é complementar a alimentação de pessoas saudáveis quando houver necessidade.

Isso significa que a decisão de tomar um produto deve partir de avaliação individual. A mesma cápsula que faz sentido para uma pessoa pode ser desnecessária, ineficaz ou arriscada para outra.

Promessa suspeita

Desconfie de soluções milagrosas

Cura rápida
suplemento não substitui tratamento médico.
Dose alta
mais quantidade não significa mais benefício.
Influência digital
publicidade não substitui orientação profissional.

Alimentação deve vir antes da cápsula

Especialistas ouvidos pela BBC defendem que a base da saúde deve continuar sendo alimentação equilibrada, sono adequado, hidratação, atividade física e acompanhamento profissional quando necessário. Os suplementos diários podem complementar, mas não devem substituir comida de verdade.

Também é importante observar sinais do corpo. Dor abdominal, enjoo, diarreia, urina escura, cansaço fora do comum, dor lombar, alergias ou piora de sintomas devem ser avaliados por um profissional de saúde, especialmente se aparecerem após o início de algum produto.

Quem usa remédios contínuos, tem doença no fígado, rins, estômago, intestino, coração, está grávida, amamenta ou pretende oferecer suplemento a crianças deve redobrar o cuidado. Nesses casos, a orientação profissional é ainda mais necessária.

Antes de manter suplementos diários na rotina, o ideal é revisar rótulos, doses e possíveis interações com um médico ou nutricionista.

A mensagem central é simples: suplementos diários não devem ser tratados como inofensivos apenas porque estão nas prateleiras ou nas redes sociais. Quando bem indicados, podem ajudar. Quando usados sem critério, podem trazer prejuízos silenciosos.

Fonte da notícia: BBC News Brasil