
Um plano para El Niño com monitoramento semanal de chuva, umidade do solo, focos de calor e nível do Rio Madeira foi cobrado nesta sexta-feira (4) pela Aprosoja Rondônia ao Governo do Estado. O ofício pede preparação para a safra 2026/2027, abastecimento de água, prevenção a incêndios e logística, mas não solicita uma declaração preventiva de emergência sem danos comprovados.
O alerta chega quando o El Niño já está configurado. O Painel El Niño 2026–2027 informa mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro e 100% de chance de permanecer pelo menos até o início de 2027. Ao mesmo tempo, Rondônia chegou a julho com 63% do território sob algum grau de seca, segundo a ANA — um retrato anterior que não pode ser atribuído automaticamente ao El Niño atual.
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O que prevê o plano para El Niño pedido pela Aprosoja-RO
O Ofício nº 021/2026 pede que o Estado monte uma coordenação interinstitucional e acompanhe, em um mesmo painel, chuva, umidade do solo, seca, focos de calor, níveis e vazões do Madeira e eventuais restrições à navegação. A entidade também quer protocolo para registrar perdas no campo e documentos preparados para uma eventual emergência futura, caso os requisitos legais venham a ser comprovados. O plano para El Niño tem caráter preventivo, não de declaração antecipada de desastre.
Na linguagem do campo, a preocupação é com a regularidade da chuva na implantação da safra. A Aprosoja-RO cita risco de falha de germinação, replantio e compressão da janela do milho segunda safra, além de custos extras com sementes, diesel, água e suplementação dos rebanhos. Essas são projeções da entidade, não perdas já consolidadas em Rondônia.
Painel federal aponta chance de El Niño muito forte
O Boletim nº 3 do Painel El Niño, publicado pelo INPE com outros órgãos federais, não fala em chance de o fenômeno “surgir”: ele já está configurado. Os mais de 90% se referem à probabilidade de intensidade muito forte entre setembro e novembro. Para o Norte, a tendência do trimestre é de chuva abaixo da média, com temperaturas elevadas e maior risco de déficit hídrico e incêndios se a estação chuvosa atrasar.
Rondônia tinha 63% do território com seca em julho
O Monitor de Secas da ANA mostra que a área com seca em Rondônia passou de 59% em junho para 63% em julho. A seca moderada permaneceu em 24% do estado. O dado é importante para mostrar que o território já entrou na parte mais seca do ano com déficit em áreas relevantes, mas não prova que o El Niño atual causou esse quadro.
Setembro pode ter chuva próxima da média e ainda exigir atenção
O INMET prevê para setembro chuva próxima ou acima da média em Rondônia. Isso não contradiz o cenário mais seco para o trimestre setembro-outubro-novembro: um mês pode terminar perto da média e, ainda assim, ter chuva mal distribuída, calor forte e períodos longos sem reposição de umidade no solo. Para quem acompanha a janela de plantio, importa tanto o volume quanto a distribuição da chuva. Por isso, o plano para El Niño precisa olhar além da média mensal.
Rio Madeira entra no plano para El Niño e na logística da safra
O Madeira também entrou no pedido por sua importância para o escoamento e para as comunidades ribeirinhas. Às 9h15 desta sexta-feira, o SGB registrou 3,97 metros na estação de Porto Velho. Em 25 de agosto, a Defesa Civil municipal havia informado que abaixo de 4 metros o município entra em estado de atenção; no painel do SGB, a leitura desta manhã aparecia com situação “Normal”.
A hidrovia movimentou 12,1 milhões de toneladas em 2025, entre elas cerca de 7 milhões de soja e 3 milhões de milho. Isso mostra o peso logístico do corredor do Madeira, mas não significa que já exista prejuízo comercial consolidado em 2026.
O que ainda não aconteceu
Não há, até agora, perda oficial por hectare atribuída ao El Niño em Rondônia, emergência estadual decretada por essa causa ou prova de que os 63% de área com seca sejam efeito direto do fenômeno. Também não é correto projetar para o estado as perdas citadas pela Aprosoja em Roraima, porque calendário agrícola, chuvas e estrutura produtiva são diferentes. Esse limite é essencial para um plano para El Niño baseado em dados de Rondônia.
Quais medidas foram solicitadas para o campo e o Madeira
Além do monitoramento, o plano para El Niño pedido pela entidade inclui abastecimento de água, prevenção e combate a incêndios, protocolo de perdas agrícolas, plano logístico para o Madeira e articulação com Governo Federal, bancos, seguradoras e demais instituições. A Aprosoja-RO também pede um ponto focal no Governo do Estado para acompanhar a execução.
Fontes: Aprosoja-RO; INPE; ANA; INMET; SGB; Defesa Civil de Porto Velho; Ministério de Portos e Aeroportos/Antaq.

































