Uma pesquisa brasileira desenvolve uma vacina contra nicotina que ainda está em fase inicial e foi testada somente em animais. A candidata é estudada pelo laboratório Cristália com a proposta de ajudar pessoas em tratamento a manter a abstinência e reduzir recaídas, mas ainda não há previsão de testes em humanos nem de disponibilidade para pacientes.
Em Rondônia, a busca por ajuda para parar de fumar cresceu nos últimos anos. O SUS registrou 4.437 atendimentos para cessação do tabagismo no estado em 2022 e 10.427 em 2025, aumento aproximado de 135%. Enquanto a pesquisa avança, Porto Velho já oferece tratamento gratuito nas unidades básicas de saúde.
Vacina contra nicotina ainda precisa avançar antes dos testes clínicos
O projeto começou a ser estruturado em maio de 2024 e está na fase Early Discovery. Até agora, os protótipos da vacina contra nicotina estimularam anticorpos específicos contra a substância em animais, e um modelo experimental apresentou efeito sobre comportamento relacionado à adicção. Outro estudo de resposta imune continua em andamento.
Antes de chegar a voluntários, a candidata ainda precisa avançar em estudos pré-clínicos de eficácia e segurança, desenvolvimento farmacotécnico e analítico, aumento de escala e preparação para estudos clínicos. Não há registro na Anvisa nem previsão confirmada de quando essa etapa poderá começar.
Os resultados iniciais da vacina contra nicotina foram divulgados pelo próprio laboratório e ainda não passaram por publicação científica revisada por pares. O Cristália informou que reúne os dados para um pedido de patente e prevê publicar os resultados depois desse depósito.
Como a vacina contra nicotina pretende agir
A estratégia é estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos capazes de reconhecer a nicotina na corrente sanguínea. A proposta é que esses anticorpos se liguem à substância e reduzam a quantidade que consegue chegar ao cérebro, diminuindo a ativação de mecanismos ligados à recompensa.
Esse mecanismo ainda precisa ser demonstrado em pessoas. Por isso, a vacina contra nicotina deve ser tratada como tecnologia experimental, e não como um produto pronto ou uma forma de substituir o tratamento disponível atualmente. O objetivo declarado pelo laboratório é complementar a cessação do tabagismo e ajudar na prevenção de recaídas.

Outras vacinas contra nicotina já chegaram a estudos em humanos
A ideia de uma vacina contra nicotina não é inédita. Candidatos como NicVAX e NIC002 chegaram a estudos clínicos no exterior. Uma revisão Cochrane que reuniu 2.642 participantes não encontrou benefício estatisticamente significativo consistente para cessação prolongada do tabagismo.
Outro ensaio, com 558 fumantes, combinou NicVAX, vareniclina e aconselhamento e também não mostrou melhora significativa da abstinência em comparação ao placebo. Esses resultados não antecipam o destino da candidata brasileira, mas mostram que ela terá de demonstrar segurança e eficácia próprias nas etapas seguintes.
O histórico internacional ajuda a colocar a pesquisa atual em perspectiva: resultados obtidos em animais são apenas um passo inicial. A eficácia da nova vacina contra nicotina em seres humanos permanece desconhecida.
Rondônia mais que dobrou a procura por tratamento no SUS
O crescimento dos atendimentos mostra por que o tema tem impacto direto no estado. Segundo o Ministério da Saúde, Rondônia passou de 4.437 atendimentos para cessação do tabagismo em 2022 para 10.427 em 2025, uma alta aproximada de 135%.
Em Porto Velho, a proporção de adultos fumantes também caiu ao longo do tempo: era de 18,5% em 2006 e chegou a 8,9% em 2023. A pesquisa da vacina contra nicotina pode representar uma possibilidade futura, mas não muda as opções de cuidado disponíveis agora para quem deseja parar de fumar.
Tratamento já está disponível nas UBS de Porto Velho
Quem procura apoio para parar de fumar pode buscar uma unidade básica de saúde em Porto Velho. O cuidado oferecido pelo SUS pode incluir avaliação, acompanhamento individual ou em grupo e medicamentos quando houver indicação clínica.
Entre as opções previstas nos protocolos estão reposição de nicotina e bupropiona, de acordo com a avaliação profissional. A eventual vacina contra nicotina, se um dia concluir as etapas de pesquisa e obtiver aprovação regulatória, seria uma possibilidade futura e complementar, não um substituto automático do tratamento atual.
Informações sobre a pesquisa estão no comunicado do Cristália. Os dados de Rondônia podem ser consultados no Ministério da Saúde, e o histórico de estudos pode ser consultado no PubMed.
Fonte: Laboratório Cristália e Ministério da Saúde.

































