
A pesquisa por cura da hepatite B ganhou uma nova frente internacional liderada pela Johns Hopkins Medicine. O Hepatitis B and HIV Cure Consortium, o BICC, reúne equipes de cinco países para estudar mecanismos do vírus e caminhos que possam levar a uma cura funcional da infecção crônica.
O tema tem peso especial em Rondônia. Dados preliminares do Ministério da Saúde mostram que Porto Velho teve em 2025 a maior taxa de detecção de hepatite B entre as capitais brasileiras, enquanto Rondônia registrou a segunda maior taxa entre as unidades da Federação.
Johns Hopkins lidera pesquisa por cura da hepatite B
A Johns Hopkins Medicine conduz o BICC, que recebeu US$ 24 milhões do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, o NIAID, ligado ao NIH. O financiamento tem duração prevista de cinco anos.
A infectologista Chloe Thio, professora da Johns Hopkins University School of Medicine, lidera o consórcio. Participam grupos de pesquisa do Brasil, Índia, Senegal, Uganda e Estados Unidos.
Essa pesquisa por cura da hepatite B combina virologia, imunologia, genética, biomarcadores, análise de amostras clínicas e técnicas de multiômica. O objetivo é compreender por que o HBV persiste e como o organismo responde ao vírus durante o tratamento.
US$ 24 milhões
grant do NIH/NIAID para cinco anos
5 países
Brasil, Índia, Senegal, Uganda e Estados Unidos
150 participantes
previstos no braço brasileiro
38,4 por 100 mil
taxa de Porto Velho em 2025
Brasil participa por meio do Hucam-Ufes e da USP
O Brasil participa do consórcio, mas não o lidera. A representação brasileira envolve o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo, o Hucam-Ufes, e a Universidade de São Paulo.
No braço brasileiro, a pesquisa por cura da hepatite B prevê 150 participantes, segundo a Agência Brasil. O recrutamento no Hucam começou em julho de 2026 e inclui pessoas com hepatite B e participantes com coinfecção por hepatite B e HIV.
As fontes descrevem recortes diferentes para o conjunto internacional. A Johns Hopkins informa uma coorte geral de 450 pessoas com HIV e hepatite B crônica e 225 com hepatite B crônica sem HIV.
A Agência Brasil cita 600 participantes distribuídos entre quatro países. Como os números aparecem em escopos distintos, esta reportagem não os soma nem trata como equivalentes; para o Brasil, usa o dado diretamente informado de 150 participantes.

O que significa buscar uma cura funcional
Os cientistas procuram biomarcadores, características genéticas e respostas imunes que ajudem a explicar por que algumas pessoas controlam melhor o vírus. Esses achados podem apontar alvos para novas terapias e formas de acompanhar a resposta ao tratamento.
No PCDT brasileiro, a chamada cura funcional corresponde à indetecção sustentada do HBsAg, com supressão estabelecida da replicação do HBV e da expressão de proteínas virais. Isso não significa eliminação completa de todo o material viral do organismo.
O protocolo ressalta que o DNA do HBV pode persistir no fígado. Portanto, a pesquisa por cura da hepatite B busca alcançar e compreender esse controle funcional; a cura ainda não foi encontrada.
Rondônia teve a segunda maior taxa do país
Em 2025, Rondônia registrou 406 casos confirmados de hepatite B e taxa de detecção de 23,2 casos por 100 mil habitantes. Entre as unidades da Federação, apenas o Acre apresentou taxa maior, com 30,2 por 100 mil.
O acumulado de Rondônia entre 2000 e 2025 chegou a 11.367 casos. O boletim do Ministério da Saúde informa que os dados dos anos recentes são preliminares e podem sofrer atualização.
406 casos confirmados
23,2 casos por 100 mil habitantes
2ª maior taxa de detecção entre as unidades da Federação.
Acumulado de 2000 a 2025: 11.367 casos. Os dados recentes são preliminares.
O contexto amazônico também exige atenção para a hepatite D. O PCDT recomenda rastreamento com anti-HDV em pessoas com HBsAg reagente provenientes da Região Amazônica ou com vínculo epidemiológico com Rondônia e outros estados listados no protocolo.
Porto Velho teve a maior taxa entre capitais
Porto Velho registrou 199 casos confirmados em 2025, com taxa de detecção de 38,4 por 100 mil habitantes. Foi a maior taxa entre as capitais brasileiras, à frente de Rio Branco, que registrou 26,0 por 100 mil.
O indicador é uma taxa, e não um ranking de número absoluto de casos. A capital acumulou 3.253 registros entre 2000 e 2025, segundo a tabela do boletim epidemiológico.
199 casos confirmados
38,4 casos por 100 mil habitantes
Maior taxa de detecção entre as capitais brasileiras.
Acumulado de 2000 a 2025: 3.253 casos. O dado não significa maior número absoluto entre capitais.
Esse cenário ajuda a explicar por que uma pesquisa por cura da hepatite B de alcance internacional interessa diretamente a Rondônia. A investigação científica, porém, não substitui prevenção, diagnóstico e acompanhamento já disponíveis na rede de saúde.
Vacina contra hepatite B está disponível no SUS
Enquanto a pesquisa por cura da hepatite B avança, a vacinação segue como a principal medida de prevenção. O Ministério da Saúde informa que a vacina é oferecida de forma universal e gratuita pelo SUS, independentemente da faixa etária, conforme avaliação da situação vacinal.
Também ajudam a reduzir o risco o uso de preservativo, o não compartilhamento de lâminas, escovas de dente e outros objetos de uso pessoal, além do cuidado com materiais perfurocortantes, tatuagem, piercing e equipamentos que possam entrar em contato com sangue.
Quem tiver indicação para testagem deve procurar a rede de saúde. Diagnóstico, acompanhamento e tratamento dependem da avaliação clínica e laboratorial, especialmente porque a hepatite B pode permanecer silenciosa por longos períodos.
Fontes: Johns Hopkins Medicine — liderança e desenho do BICC; Agência Brasil — participação brasileira; Ministério da Saúde — Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026; Ministério da Saúde — PCDT de Hepatite B e coinfecções.































