Cardiopatia congênita é uma condição que exige atenção desde a gestação e nos primeiros dias de vida do bebê. No Brasil, cerca de 30 mil crianças nascem por ano com algum tipo de malformação no coração, segundo o Ministério da Saúde.
A informação ganha destaque no Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, celebrado nesta sexta-feira (12). Especialistas alertam que o diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento adequado, reduz riscos e melhora a qualidade de vida dos pacientes.
Diagnóstico cedo pode mudar o futuro da criança
A cardiopatia congênita reúne diferentes malformações no coração. Algumas são leves, mas outras exigem atendimento especializado logo após o nascimento.
De acordo com a cardiologista pediátrica Renata Mattos, do Instituto Nacional de Cardiologia, o acesso ao diagnóstico tem aumentado no país. Ainda assim, há desigualdade regional. A especialista observa que a Região Sudeste tem mais acesso a exames e tratamento do que a Região Norte.
A cardiopatia congênita é considerada uma das principais causas de mortalidade infantil por malformações. Por isso, o acompanhamento durante o pré-natal e os exames nos primeiros dias de vida são fundamentais para identificar casos graves e planejar a assistência ao bebê.
Números ajudam a entender o alerta
Cardiopatia congênita pode ser identificada ainda na gestação
Quando a cardiopatia congênita é detectada ainda dentro da barriga da mãe, a equipe médica consegue planejar o fim da gestação, o local do parto e a estrutura necessária para receber o bebê.
Em casos mais graves, o parto pode precisar ocorrer em uma unidade com UTI neonatal, equipe especializada e possibilidade de cirurgia ou cateterismo logo após o nascimento. Quando a alteração é menos grave, a gestação pode seguir com acompanhamento e planejamento médico.
Exames ajudam na identificação precoce
1. Ecocardiograma fetal: exame recomendado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação para detectar alterações no coração antes do nascimento.
2. Teste do Coraçãozinho: triagem neonatal feita na maternidade entre 24 e 48 horas de vida para identificar cardiopatias críticas.
3. Encaminhamento: bebês com suspeita ou diagnóstico devem ser acompanhados pela rede especializada.
4. Tratamento: o SUS oferece acompanhamento clínico e cirurgias de alta complexidade quando indicadas.
Sinais de alerta devem ser observados pela família
Nem toda cardiopatia congênita aparece de forma evidente logo ao nascer. Por isso, pais e responsáveis devem acompanhar o desenvolvimento do bebê e informar ao pediatra qualquer alteração no crescimento, no ganho de peso ou na respiração.
Entre os sinais de atenção estão dificuldade para mamar, cansaço durante a amamentação, respiração acelerada, pouco ganho de peso e coloração arroxeada nos lábios ou na ponta do nariz. Em crianças maiores, dor no peito e palpitações também devem ser investigadas.
Quando procurar atendimento
A avaliação médica deve ser buscada quando a criança apresentar sinais persistentes de cansaço, dificuldade para se alimentar ou alteração na cor da pele.
Bebês: atenção ao cansaço ao mamar, respiração rápida e baixo ganho de peso.
Crianças maiores: dor no peito, palpitações e falta de ar devem ser comunicadas ao pediatra.
Atenção: o diagnóstico deve ser feito por profissionais de saúde, com exames e acompanhamento especializado.
Tratamento permite vida ativa em muitos casos
Com diagnóstico correto e acompanhamento médico, muitas crianças com cardiopatia congênita conseguem estudar, trabalhar, praticar atividades físicas orientadas e levar uma vida próxima do normal.
Alguns casos são resolvidos com apenas um procedimento. Outros exigem cirurgias em diferentes fases da vida e acompanhamento contínuo até a idade adulta. O avanço no diagnóstico e no tratamento tem permitido que mais pacientes sobrevivam e mantenham rotina ativa.
A história de Nathan Senna Alves, diagnosticado com uma cardiopatia grave ao nascer, mostra a importância do cuidado contínuo. Ele passou por três cirurgias ao longo da vida, chegou à fase adulta, formou família e segue em acompanhamento médico.
Por que isso importa para a Região Norte
Acesso: especialistas apontam que regiões como o Norte ainda enfrentam mais dificuldade de acesso a diagnóstico e tratamento especializado.
Famílias: informação clara ajuda pais e responsáveis a reconhecer sinais e buscar atendimento mais cedo.
SUS: a linha de cuidado inclui exames, acompanhamento e tratamento clínico ou cirúrgico conforme cada caso.
A principal orientação é manter o pré-natal em dia, realizar os exames indicados e garantir o acompanhamento pediátrico após o nascimento. Em caso de suspeita de cardiopatia congênita, a avaliação especializada é essencial para definir o tratamento adequado.
Agência Brasil























