
Os furtos de grãos no Rio Madeira ganharam uma nova etapa de investigação nesta sexta-feira (28). A Operação Piratas do Madeira 2, deflagrada pela FICCO/RO, cumpre sete mandados de busca e apreensão e alcança 29 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas, em Porto Velho, Ariquemes e Umuarama, no Paraná.
No caso dos furtos de grãos no Rio Madeira, o dado que amplia a dimensão regional vem das próprias empresas vítimas: segundo a Polícia Federal, foram registradas 257 ocorrências de furtos em barcaças entre 2022 e 2025. A apuração ocorre em uma hidrovia que movimentou 12,1 milhões de toneladas de cargas em 2025 e funciona como um dos principais corredores logísticos ligados a Porto Velho e ao Arco Norte.
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As 257 ocorrências relatadas pelas empresas vítimas
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O que a Operação Piratas do Madeira 2 cumpriu
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Como o esquema funcionaria, segundo a investigação
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Por que a Hidrovia do Madeira é estratégica
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Quanto soja e milho passaram pela rota em 2025
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O que aconteceu na primeira operação, em 2025
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Por que a segurança da rota importa para Rondônia
Furtos de grãos no Rio Madeira: empresas relataram 257 ocorrências
A Polícia Federal atribui o número de 257 às empresas vítimas. Portanto, ele representa ocorrências registradas ou relatadas no período entre 2022 e 2025, e não 257 condenações, 257 cargas inteiras subtraídas ou 257 barcaças furtadas. A distinção é importante para manter a cobertura dentro do que está efetivamente confirmado.
A investigação atual mira suspeitas de subtração, escoamento e receptação das cargas. O volume de ocorrências ajuda a explicar por que os furtos de grãos no Rio Madeira passaram a ser tratados como um problema que ultrapassa uma ocorrência isolada e alcança uma rota relevante para a economia de Rondônia.
Operação atinge investigados em Rondônia e no Paraná
A Operação Piratas do Madeira 2 cumpre sete mandados de busca e apreensão em Porto Velho, Ariquemes e Umuarama. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho e incluem medidas de bloqueio e sequestro de bens e valores até o limite de R$ 1,2 milhão.
Na apuração dos furtos de grãos no Rio Madeira, segundo a PF, as medidas atingem 29 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas. A nota oficial não informa prisão na operação desta sexta-feira. Por isso, 29 é o número de investigados alcançados pelas ordens, e sete é o total de mandados de busca e apreensão — não de prisões.
Como o esquema funcionaria, segundo a investigação
Segundo a apuração dos furtos de grãos no Rio Madeira, o grupo investigado atuaria em diferentes etapas: subtração dos grãos, escoamento das cargas e receptação. A PF afirma que empresas do setor agroindustrial teriam adquirido produtos por valores abaixo dos praticados no mercado.
A investigação também aponta que as cargas seriam reinseridas no mercado com aparência de legalidade, inclusive por meio de notas fiscais com descrição falsa dos produtos. Os investigados podem responder, conforme a PF, por organização criminosa, furto qualificado em continuidade delitiva, receptação qualificada, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. As acusações ainda dependem do andamento da investigação e do processo judicial.
Rio Madeira movimentou 12,1 milhões de toneladas em 2025
A dimensão logística explica por que os furtos de grãos no Rio Madeira têm impacto institucional além da área policial. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a Hidrovia do Madeira transportou 12,1 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 20,4% sobre 2024.
O corredor liga Porto Velho à foz do Rio Madeira, conecta-se ao Rio Amazonas e integra os portos do Arco Norte. A ANTAQ trabalha, no projeto de concessão, com uma extensão total de 1.075 quilômetros entre Porto Velho e Itacoatiara, além de estimativa de 13 milhões de toneladas no início da operação e máximo previsto de 21 milhões. Esses dois últimos números são projeções do projeto, não volumes já transportados.

Soja e milho dominam parte do fluxo da hidrovia
Dos 12,1 milhões de toneladas movimentados em 2025, a soja respondeu por 7 milhões e o milho por 3 milhões, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. O petróleo somou 1 milhão de toneladas. Os dados mostram a presença dos grãos no fluxo da hidrovia, mas não significam que todo esse volume tenha relação com as ocorrências investigadas.
Para Rondônia, a rota integra cadeias de agricultura, comércio e serviços e participa do escoamento de cargas ligado à capital. A investigação dos furtos de grãos no Rio Madeira não permite afirmar, por si só, que houve aumento de preços, desabastecimento ou elevação do frete; essas consequências exigiriam dados específicos que não aparecem na nota da operação.
Primeira Operação Piratas do Madeira ocorreu em 2025
A investigação dos furtos de grãos no Rio Madeira tem um antecedente. Em junho de 2025, a primeira Operação Piratas do Madeira cumpriu 14 mandados de prisão temporária e 16 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens e bloqueio de valores que, naquela etapa, somavam R$ 126 milhões.
Na investigação de 2025, as cargas citadas incluíam adubo, soja, milho e outros grãos. Os números das duas etapas não podem ser misturados: os R$ 126 milhões, as 14 prisões temporárias e as 16 buscas pertencem à operação anterior; em 2026, a PF informa sete buscas, 29 investigados e bloqueio de até R$ 1,2 milhão.
Por que a segurança da rota importa para Rondônia
A Hidrovia do Madeira é uma conexão econômica de Porto Velho com o Amazonas e com rotas do Norte. Além da produção agrícola, ela transporta combustíveis e outros produtos essenciais. A ANTAQ e o Ministério de Portos tratam a continuidade e a capacidade dessa infraestrutura como fatores relevantes para abastecimento, competitividade e desenvolvimento regional.
Nesse contexto, os furtos de grãos no Rio Madeira entram no debate sobre segurança de uma infraestrutura logística estratégica. Isso não autoriza calcular prejuízo econômico sem fonte, mas ajuda a entender por que uma investigação criminal sobre cargas em barcaças interessa diretamente a Rondônia e ao funcionamento de uma rota que movimenta milhões de toneladas por ano.
Fontes: Polícia Federal — Operação Piratas do Madeira 2; Senappen — Operação Piratas do Madeira de 2025; Ministério de Portos e Aeroportos — movimentação de 2025; ANTAQ — projeto da Hidrovia do Rio Madeira.





























